Fiquei ali, meio agachada ainda perto da Helena, sentindo aquele silêncio esquisito que só criança consegue fazer pesar. Não era um silêncio vazio, era cheio de coisa não dita, cheio de muro invisível. Ela me olhava como quem avalia uma mercadoria ruim, daquelas que a gente vê na prateleira e já sabe que não vai levar pra casa.
— Como é que é? — ela repetiu, agora com a testa franzida, olhando pra dona Joana como se pedisse confirmação, ou talvez autorização pra não gostar de mim.
Dona Joana re