Ainda envolta pela atmosfera densa daquela noite — um emaranhado de olhares curiosos, perfumes caros, murmúrios calculados e sorrisos que jamais alcançavam os olhos — eu a senti antes mesmo de ouvi-la.
— Algumas pessoas possuem esse dom estranho e perigoso de alterar completamente a energia de um ambiente. Marjorie era uma delas.
Ela se aproximou como quem pisa em território que considera seu por direito. Elegante, impecável, segura demais. O sorriso que trazia nos lábios era ensaiado, polido, quase gentil… mas vazio. Seus olhos, esses, percorriam-me com frieza clínica, como se eu fosse um erro estatístico, uma falha improvável dentro do mundo que ela julgava compreender.
— Parabéns — disse, com uma doçura artificial que não escondia o veneno por trás da palavra. — Vamos ver quanto tempo essa farsa vai durar.
Senti o impacto da frase, mas não recuei. Fui criada para não abaixar os olhos diante de desprezo travestido de elegância. Permaneci e