A balada era exatamente como Aurora imaginava.
Alta demais.
Escura demais.
Gente demais.
Luzes cortando o ambiente, música pulsando no peito, corpos se movendo como se nada existisse fora dali. Malu já estava animada demais para alguém que tinha prometido “só dar uma volta”.
— Relaxa — gritou no ouvido de Aurora. — Ninguém morre por dançar.
Aurora fez uma careta.
— Eu posso morrer por esse som.
Malu riu e puxou-a pela mão em direção à pista.
Aurora tentou se soltar.
— Eu disse que não gosto—
— Você disse que não costuma gostar. Isso é diferente.
Aurora suspirou e acabou cedendo.
E foi então que sentiu.
Não o som.
Não a música.
Não o ambiente.
O olhar.
Ela levantou o rosto por reflexo.
No camarote, acima da pista, cercado de gente, estava Henrique.
Camisa escura, mangas dobradas, postura relaxada demais para alguém que sempre parecia em controle. Um copo na mão, algumas mulheres ao redor, risadas, proximidade.
Ele a viu no mesmo instante.
A