Saulo fechou o notebook e lançou um olhar rápido para o aparador de madeira escura no canto da sala.
— Se essa reunião tivesse durado mais cinco minutos, eu já estaria abrindo aquela garrafa.
Henrique ajeitou o relógio no pulso.
— Você sempre acha que trabalho termina em álcool.
— Não termina — respondeu Saulo. — Mas melhora.
Os dois caminharam juntos para fora da sala, seguindo pelo corredor envidraçado. Funcionários iam e vinham, o movimento já mais calmo do fim da tarde.
Por alguns segundos, ficaram em silêncio.
Até Saulo quebrar.
— Sua assistente é… interessante.
Henrique não reagiu de imediato.
— Interessante como?
— Simples — respondeu Saulo. — Mas muito bonita. Daquelas que não tentam ser.
Henrique lançou um olhar rápido para ele.
— Você analisa todas as mulheres assim?
— Só as que me chamam atenção — disse, com naturalidade. — E ela chamou.
Henrique desviou o olhar para o celular, fingindo ler alguma coisa.
— Você vê beleza demais em gente que