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⚠️ Aviso de conteúdo
Esta é uma obra de ficção destinada ao público adulto (+18). Ao longo da história, poderão ser abordados temas como violência, linguagem imprópria, crimes, conflitos entre organizações criminosas, tortura, mortes, consumo de álcool, uso de cigarros, conteúdo sexual e situações emocionalmente intensas. Caso algum desses temas seja um gatilho para você, leia com cuidado e priorize sempre o seu bem-estar. Espero que, mesmo em meio ao caos da Tríade Negra, vocês encontrem uma história capaz de emocionar, surpreender e prender do início ao fim. ❤️ °°° POV: MATTEO VOLKOV A neve sempre me pareceu a coisa mais honesta do mundo. Ela não faz promessas baratas, não oferece um conforto falso e nem finge ser o que não é. Ela simplesmente cai, fria e implacável, cobrindo as calçadas, os telhados e a miséria com uma camada branca e espessa. Esconde a sujeira da cidade por tempo suficiente para que alguém muito ingênuo acredite que o mundo ainda pode ser puro. Eu nunca fui esse tipo de homem. Aprendi muito cedo que, por baixo da brancura do gelo, a lama e o sangue continuam exatamente no mesmo lugar, esperando o momento de reaparecer. Da janela panorâmica do meu escritório, localizado no último andar do edifício de vidro espelhado que servia como o quartel-general da Bratva, Moscou se estendia lá embaixo como um organismo vivo e cinzento. Carros de luxo e blindados cortavam as avenidas cobertas por aquela fumaça gelada, pessoas caminhavam apressadas com os rostos completamente escondidos por cachecóis escuros, enquanto o vapor denso escapava das chaminés das fábricas periféricas e desaparecia no céu nublado. Era uma cidade fria. Dura. Destrutiva para os fracos. Assim como eu. Levei o copo de cristal aos lábios, deixando que o uísque puro e sem gelo queimasse a minha garganta, trazendo um calor necessário para aquela manhã cinzenta. Eram pouco mais de oito da manhã. Qualquer cidadão comum diria que era cedo demais para beber algo tão forte. Eu chamava aquilo de rotina. No meu mundo, as horas não são medidas pelo relógio, mas sim pela intensidade dos problemas que preciso resolver. Uma batida discreta, firme e rítmica interrompeu o silêncio pesado do escritório. — Entre — ordenei, sem me dar ao trabalho de virar a cadeira de couro na direção da porta. O estalo da fechadura ecoou e os passos pesados anunciaram a entrada dos meus homens. Sergei entrou primeiro, com sua postura militar impecável e o olhar de predador atento. Atrás dele, vieram Ivan, Viktor e Mikhail. Meus homens de confiança, a elite da minha guarda pessoal. Eles não precisavam que ninguém anunciasse os seus nomes ou os seus cargos; bastava observar a maneira calculada como caminhavam e o magnetismo sombrio que emanavam para perceber que todos ali carregavam o peso de incontáveis cadáveres nas costas. Eles pararam em uma linha perfeita diante da minha mesa de mogno escuro. — Pakhan — Sergei saudou, inclinando levemente a cabeça em sinal de respeito absoluto. Fiz um movimento quase imperceptível com a cabeça, girando a cadeira devagar para encará-los. — Comecem. Sergei deu um passo à frente e abriu uma pasta de couro preta, estendendo alguns relatórios sobre a mesa. — A família Petrov voltou a atrasar o pagamento dos tributos das rotas do leste — ele informou, a voz grave e destituída de qualquer emoção. — Quanto? — perguntei, girando o uísque dentro do copo. — Três milhões de euros. — E qual foi a justificativa dessa vez? — Alegaram problemas graves com o transporte e atrasos na alfândega da fronteira. Soltei um riso baixo, um som curto e desprovido de qualquer humor. Que mentira patética. Problemas com transporte eram desculpas esfarrapadas de homens fracos, de idiotas que ainda acreditavam que eu era o tipo de chefe que aceitava justificativas ou que sentava à mesa para negociar prazos. Eu não negociava com devedores. Eu decidia o destino deles. — Eliminem o responsável — ordenei de forma simples, como se estivesse comentando sobre a mudança do clima lá fora. Nenhum dos quatro homens demonstrou a menor surpresa. Eles conheciam os meus métodos. Na Bratva, a tolerância para a falha era igual a zero. — Apenas ele? — Viktor questionou, com a mão descansando perto do coldre sob o paletó. — A esposa também — acrescentei, fixando meus olhos azuis nos dele. Viktor ergueu uma sobrancelha, absorvendo a ordem. — E os filhos? Girei a cadeira novamente para a janela, observando os flocos de neve que batiam contra o vidro duplo. — Não. Deixem os garotos vivos. O silêncio tomou conta da sala por alguns segundos, quebrado apenas pelo som do vento forte do lado de fora. — Quero que eles cresçam sabendo exatamente por que perderam os pais — continuei, a minha voz saindo fria e pausada. — Esse tipo de dor e o medo de repetir o erro dura muito mais tempo na mente de um homem do que o impacto de uma bala na testa. Servirá de exemplo para a próxima geração daquela família. Ivan apenas assentiu e anotou a ordem em seu tablet criptografado. Não existia espaço para questionamentos, debates morais ou hesitação. Na máfia russa, as minhas palavras eram a lei absoluta. — O próximo assunto — proferi, deixando o copo vazio sobre a mesa. Durante as duas horas seguintes, o escritório se transformou em uma sala de guerra. Analisamos detalhadamente as novas remessas de armas vindas do continente, as rotas de contrabando marítimo, os esquemas complexos de lavagem de dinheiro através de cassinos e os novos políticos de alto escalão que havíamos comprado no Leste Europeu. Era exatamente nisso que eu era brilhante. Estratégia pura. Enquanto outros chefes da máfia agiam por impulso, resolvendo tudo com tiroteios barulhentos e demonstrações públicas de violência gratuita, eu preferia vencer os meus inimigos antes mesmo que a guerra começasse de fato. Um bom jogador de xadrez de verdade não comemora quando sua mão finalmente derruba o rei adversário no tabuleiro; ele comemora no momento exato em que o oponente percebe, com os olhos arregalados e tarde demais, que perdeu o jogo dez movimentos atrás. Quando a pauta finalmente terminou, fiz um sinal para que se retirassem. Todos deixaram a sala em um silêncio reverente, menos Sergei, que permaneceu parado perto da porta. Ergui os olhos, avaliando a postura do meu executor. — Há mais uma coisa, Pakhan — ele disse, aproximando-se mais dois passos. — Fale. — Nossos informantes na rede escura receberam dados de que alguém está tentando rastrear e descobrir detalhes internos sobre a nossa aliança. Estão cavando fundo demais atrás de informações sobre a Tríade Negra. Meu corpo permaneceu perfeitamente imóvel na cadeira, mas a minha mente acelerou instantaneamente. — Qual a origem dos acessos? — Ainda é desconhecida. Os IPs estão mascarados através de servidores na Suíça e na Ásia. — Descubram — determinei, cerrando os dentes. — Não quero rumores, Sergei. Quero nomes, rostos e localizações. Se alguém está tentando olhar para dentro da Tríade, precisamos cortar essa cabeça antes que vejam o que não devem. — Já estamos trabalhando nisso, senhor — ele inclinou a cabeça, deu as costas e saiu, fechando a pesada porta de madeira atrás de si. Fiquei sozinho outra vez com os meus pensamentos. Girei lentamente a cadeira, observando a neve cair com mais intensidade. Massimo costumava dizer que o meu maior defeito era que eu pensava demais, que analisava variáveis onde só era necessário puxar um gatilho. Talvez ele estivesse certo em partes. Ele resolvia os seus problemas na Itália usando a força bruta e o peso do seu sobrenome; eu preferia desmontar os meus inimigos peça por peça, destruindo suas estruturas financeiras e psicológicas até que não sobrasse nada. Era exatamente por isso que a nossa aliança funcionava de maneira tão perfeita. Ele era o escudo indestrutível da organização. Eu era o cérebro estrategista. E Adrian... Sorri de lado, sentindo uma pontada de divertimento raro ao lembrar do terceiro pilar da nossa Tríade. Adrian Keller era o único homem na face da Terra capaz de transformar uma reunião de negócios multimilionária e tensa em uma aposta de alto risco em uma mesa de poker, sem perder a postura e a elegância por um único segundo. Um americano arrogante, brilhante e implacável em seus negócios de fachada. Nós três éramos homens diferentes demais, com origens e métodos completamente distintos para sermos considerados irmãos de sangue. Mas o sangue nunca foi um requisito real para se construir uma família de verdade. A lealdade era o único critério que importava. E disso, nós três tínhamos de sobra. °°° Queridas leitoras, Sejam muito bem-vindas ao segundo livro da trilogia Tríade Negra! Se você acompanhou a história de Massimo Capone e Chiara, obrigada por embarcar comigo em mais essa jornada. Espero, de todo o coração, que vocês se apaixonem por Matteo Volkov da mesma forma que se apaixonaram pelo nosso Don italiano. Matteo é completamente diferente de Massimo. Frio, estratégico e acostumado a controlar tudo ao seu redor, ele acredita que sentimentos são uma fraqueza. Mas, como toda boa história, o destino adora desafiar as maiores certezas. Ao longo dos próximos capítulos, vamos mergulhar em uma trama repleta de máfia, poder, mistérios, alianças, paixão e muitas reviravoltas. Preparem-se para conhecer um homem que precisará enfrentar a batalha mais difícil de sua vida: a que acontece dentro do próprio coração. Quero agradecer, de coração, a cada uma de vocês por escolher dedicar um pouco do seu tempo à minha história. Cada leitura, cada curtida, cada comentário e cada mensagem significam muito para mim e me motivam a continuar escrevendo. Se o livro estiver conquistando você, não esqueça de favoritá-lo. Isso faz uma enorme diferença e ajuda outras leitoras a encontrarem essa história. E, por favor, comentem muito! Adoro acompanhar as reações de vocês, descobrir suas teorias, ver por quem estão torcendo e ler cada emoção vivida durante a leitura. Sem spoilers para as outras leitoras, é claro! 💙 Agora respirem fundo... Porque o inverno russo está prestes a encontrar o calor da Itália. Com carinho, Gabi Nunes ❤️






