Capítulo 172 — O quarto amarelinho

POV Amara

Killian não diz nada quando passa por mim.

Ele apenas deixa o casaco dobrado sobre o encosto da cadeira, arregaça mais as mangas da camisa e segue direto para o quarto do Mateo como se aquele fosse, naturalmente, o lugar dele.

E talvez seja.

— Ainda falta muita coisa — digo, encostada no batente da porta, observando enquanto ele analisa as paredes com um olhar crítico, quase técnico.

— Falta o suficiente pra me incomodar — ele responde, já abrindo a caixa de ferramentas. — Mas nada que a gente não resolva hoje.

Hoje.

Como se fosse óbvio que ele ficaria.

Eu deveria dizer algo. Que está tarde. Que ele pode ir. Que amanhã a gente continua.

Não digo.

Pego o rolo de pintura. As tintas ainda estão ali, organizadas no canto. O amarelo suave que escolhi não é chamativo, mas aquece. Dá sensação de casa. De manhã. De sol entrando pela janela.

Killian me observa por um segundo a mais do que o necessário.

— Você escolheu bem a cor — diz. — Combina com você.

— Não sabia que
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