POV Amara
Killian não diz nada quando passa por mim.
Ele apenas deixa o casaco dobrado sobre o encosto da cadeira, arregaça mais as mangas da camisa e segue direto para o quarto do Mateo como se aquele fosse, naturalmente, o lugar dele.
E talvez seja.
— Ainda falta muita coisa — digo, encostada no batente da porta, observando enquanto ele analisa as paredes com um olhar crítico, quase técnico.
— Falta o suficiente pra me incomodar — ele responde, já abrindo a caixa de ferramentas. — Mas nada que a gente não resolva hoje.
Hoje.
Como se fosse óbvio que ele ficaria.
Eu deveria dizer algo. Que está tarde. Que ele pode ir. Que amanhã a gente continua.
Não digo.
Pego o rolo de pintura. As tintas ainda estão ali, organizadas no canto. O amarelo suave que escolhi não é chamativo, mas aquece. Dá sensação de casa. De manhã. De sol entrando pela janela.
Killian me observa por um segundo a mais do que o necessário.
— Você escolheu bem a cor — diz. — Combina com você.
— Não sabia que