POV Amara
O hospital nunca é silencioso de verdade. Ele apenas finge. Há sempre um bip distante, um passo apressado, um choro contido que atravessa paredes. Ainda assim, quando entro na UTI neonatal, tudo desaparece.
Só existe ele.
Meu filho.
Pequeno. Frágil. Forte de um jeito que me desmonta.
Chego perto da incubadora devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse assustar o mundo. Meus dedos tocam o vidro, e meus olhos percorrem cada detalhe: os cílios quase invisíveis, a boquinha entreaberta, o peito subindo e descendo num ritmo que agora já reconheço como meu novo relógio biológico.
— Oi, meu amor… — sussurro, mesmo sabendo que ele provavelmente não escuta. — A mamãe chegou.
Meu coração aperta e expande ao mesmo tempo. É um milagre estranho esse amor. Ele não pede licença, não se constrói aos poucos. Ele simplesmente explode.
A enfermeira me ajuda, com todo cuidado do mundo, a pegá-lo por alguns minutos. Quando ele vem para meus braços, tudo em mim se realinha. Meu corpo recon