POV Amara
O hospital nunca é silencioso de verdade. Ele apenas finge. Há sempre um bip distante, um passo apressado, um choro contido que atravessa paredes. Ainda assim, quando entro na UTI neonatal, tudo desaparece.
Só existe ele.
Meu filho.
Pequeno. Frágil. Forte de um jeito que me desmonta.
Chego perto da incubadora devagar, como se qualquer movimento brusco pudesse assustar o mundo. Meus dedos tocam o vidro, e meus olhos percorrem cada detalhe: os cílios quase invisíveis, a boquinha entreab