POV AMARA
O prédio ainda cheirava a tinta fresca.
Era novo, alto, silencioso e, pela primeira vez em muito tempo, eu me sentia quase… segura. Quase.
Dominic estava no andar de baixo, orientando engenheiros, arquitetos e equipe. Eu o ouvi a manhã inteira falando sobre estrutura, esquadrias, entrada principal, iluminação… O tom dele era calmo, mas a tensão por trás era óbvia:
Ele estava abrindo uma empresa enquanto escondia a ex-esposa grávida do irmão. Um passo em falso e tudo explodia nos pés de todo mundo.
Eu estava numa sala de reuniões vazia do último andar, sentada numa poltrona que ainda estava com plástico, com as pernas encolhidas e uma respiração que teimava em sair errada.
O bebê chutava forte. Mais forte do que deveria.
— Eu sei, meu amor… — murmurei, apertando a barriga. — A mamãe tá nervosa também.
Tentei fechar os olhos. Só por cinco minutos. Mas o descanso não veio. Porque o som veio primeiro.
Uma agitação abafada, distante, subindo pelas paredes de vidro como um aviso.