Mundo ficciónIniciar sesiónA noite já estava alta quando Anitta terminou o segundo encontro, e a boate pulsava com aquela energia elétrica que só existia depois da meia-noite — quando a cidade abandonava suas máscaras e permitia que desejos, segredos e curiosidades circulassem livremente entre luzes vermelhas e música grave.
Para muitos, era apenas mais uma noite.
Para ela, cada minuto carregava peso.
O segundo cliente havia sido como todos os outros: um homem importante, acostumado a comandar, que ali buscava justamente o oposto — alguém que o conduzisse, que transformasse poder em entrega silenciosa. Anitta sabia ler esses homens antes que eles abrissem a boca. Entendia a tensão acumulada nos ombros, o modo como respiravam mais fundo ao cruzar a soleira, o alívio quase infantil de não precisar decidir nada.
Por isso seu nome era o mais requisitado da casa.
Domadora.
Mas quando o cliente saiu — agradecendo com um aceno quase reverente — ela percebeu que sua mente não estava ali.
Estava esperando.
No camarim reservado, as luzes eram suaves. O som da música chegava abafado pelas paredes grossas, como um coração distante. Anitta retirou lentamente as luvas de couro, dedo por dedo, e se observou no espelho por mais tempo do que o habitual.
A maquiagem, intacta.
A máscara, no lugar.
Mas os olhos claros carregavam uma inquietação que não lhe era familiar durante o trabalho.
Laura apareceu na porta com aquele sorriso de quem entendia muito mais do que dizia.
— A noite está boa para você.
— Como sempre — respondeu Anitta, a voz neutra.
Laura cruzou os braços, estudando-a.
— O novo cliente pediu você de novo.
Anitta levantou o olhar devagar.
— Já?
— Parece que sim. — Uma pausa deliberada, Laura observou por um momento Anitta — Sala cinco. - Se retirou.
Ela assentiu. Mas demorou mais do que o necessário diante do espelho, reorganizando os cabelos escuros que escapavam pela borda da máscara — como se aquele detalhe importasse mais do que qualquer outro.
Ela sabia quem estava esperando.
E pela primeira vez desde que começara naquela vida dupla, não sentia apenas a segurança de quem controla uma situação. Sentia algo mais quente. Mais pessoal. Mais perigoso.
Queria estar naquela sala.
O segurança abriu a porta sem dizer palavra.
A sala cinco estava mergulhada em meia-luz âmbar, e o ar carregava um perfume discreto — madeira, algo levemente amargo — que ela associou imediatamente a ele.
Ele já estava ali.
De pé, como da última vez. A máscara escura cobria o rosto, mas a postura o entregava: firme demais para estar relaxado. Havia expectativa nos ombros, na forma como se virou ao ouvir a porta se fechar.
Anitta caminhou devagar pela sala, deixando o silêncio trabalhar por ela.
— Voltou rápido — disse, sem olhá-lo de frente lançando um olhar canteiro e sensual.
— Talvez eu tenha gostado da experiência — Ele fala em um tom safado, ele a queria.
— Talvez?
Ela deixou a palavra flutuar, carregada e seus olhos claros fixaram se nele, seus olhares pousaram um no outro, aquela tensão de desejo e prazer perneia no ar.
— Talvez eu queira entender melhor — ele respondeu.
Ela parou diante dele, a distância calculada — perto o suficiente para que ele sentisse o calor da presença dela, longe o suficiente para que precisasse dela para preencher o espaço.
— Entender o quê?
— Você.
A resposta veio sem hesitação.
Anitta sustentou o olhar dele por um momento longo, sentindo aquele calor familiar percorrer-lhe o corpo — só que desta vez não era apenas profissional. Era mais fundo. Mais incômodo. Mais honesto.
— Eu não sou algo para ser entendido — disse ela, provocativa.
— Então o que você é?
Ela deu um sorriso invisível sob a máscara, um sorriso sensual e travesso.
— Uma experiência.
Ele soltou uma respiração curta — não exatamente um riso, mas quase.
— Eu já tive muitas experiências.
— E mesmo assim voltou.
— Voltei.
Ela começou a circular ao redor dele lentamente, os passos silenciosos sobre o piso escuro casa passo contém sedução, provocação sua perna bem formada encanta em casa passo com o salto quinze. Era um movimento de leitura — ela analisava a respiração dele, a rigidez dos ombros, o modo como as mãos queriam se mover mas ficavam paradas.
— Homens costumam voltar quando algo os incomoda — ela disse, atrás dele agora.
— Você acha que me incomoda?
— Acho que acordei alguma coisa.
Ele ficou em silêncio.
— Talvez curiosidade — disse por fim.
— Curiosidade é perigosa. — Ela parou bem próxima ao ouvido dele, a voz baixa o suficiente para que as palavras chegassem quase como toque. — Faz as pessoas quererem mais do que deveriam.
Ele virou-se devagar. Os olhos por trás da máscara encontraram os dela com uma intensidade que ela não esperava — ou esperava demais.
— Eu não tenho medo de perigo.
Ela ergueu a mão e tocou levemente o peito dele. Uma pressão mínima, quase clínica — mas que durou um segundo a mais do que o necessário.
— Todos têm medo de alguma coisa.
— E você? — ele perguntou, a voz mais baixa agora. — Tem medo?
A pergunta atravessou camadas que ela não estava disposta a examinar ali. Mas Anitta não deixava nada transparecer que não tivesse escolhido mostrar.
— Aqui dentro — disse ela, inclinando-se levemente para perto do ouvido dele — medo não tem espaço.
O calor do corpo dele era perceptível. A respiração, ligeiramente alterada.
— Você fala como se conhecesse as pessoas muito bem — ele disse, sem recuar.
— Eu observo.
— E o que você vê em mim?
Ela deixou o silêncio responder primeiro.
Depois, com voz quase suave — quase gentil — disse:
— Que você está cansado de ser quem precisa ser o tempo todo. — Uma pausa. — E que aqui você quer apenas... existir — Ela morde de leve o modulo do ouvido dele o provocando, sua unha caminha pela perna dele , a parte interna o provocando.
Ele ficou absolutamente imóvel.
Naquele silêncio, Anitta percebeu que havia tocado em algo real — não o jogo, não o papel, não a fantasia. Algo verdadeiro, que ele carregava fora dali.
— Você é perigosa — ele disse por fim, a voz diferente.
— Eu avisei.
Ela levantou a mão e segurou levemente o queixo dele, direcionando o olhar. Era um gesto de comando — mas havia algo nele que não era apenas controle. Era atenção. Era cuidado disfarçado de autoridade, a mão dele passa pela perna dele e começa agarrar com vontade e tesão a coxa da mesma, ela comanda:
— Agora ajoelhe-se.
Ele obedeceu.
E naquele momento, enquanto o observava, Anitta sentiu algo que não sabia nomear com precisão — e que, por isso mesmo, a perturbou mais do que qualquer outra coisa naquela noite.
Ela não queria cumprir mais um encontro.
Queria aquela sala, aquele silêncio, aquela presença estranha e familiar ao mesmo tempo. Queria a conversa que havia por trás das palavras curtas. Queria o peso da respiração dele perto demais, a forma como ele a olhava como se tentasse decifrar algo que ela havia escondido com muita habilidade.
Queria repetir.
E talvez — sem que nenhum dos dois tivesse percebido — já estivessem desejando algo que ia além do que qualquer um deles podia se dar ao luxo de admitir, ele a obedecia , ela comandava o cheiro do prazer aos poucos tomava aquele ambiente.







