Li Wei
O sol da manhã, que no dia anterior havia testemunhado o nosso casamento, agora iluminava a correria das despedidas. A fazenda, que por dois dias foi o palco da nossa união, voltava à sua rotina, mas com um vazio palpável.
Eu observava Siena, minha esposa, no meio da sala, supervisionando a arrumação das malas. Sua mãe, minha sogra, e sua avó, a Avó Amoretti, estavam ao seu lado, transformando a tarefa em um ritual de carinho e cuidado.
— Não se esqueça dos chás de ervas, Siena — Sua avó instruía, com a voz firme, mas sem o tom de superstição. Ela era a alma da fazenda, mas sua mente era afiada, moldada pela travessia da Itália para o Brasil. — Eles vão ajudar no enjoo da viagem. E leve este amuleto. É para proteger os meus bisnetos.
— Obrigada, nonna — Siena respondeu, beijando a mão enrugada. — Eu prometo que voltaremos assim que os bebês puderem viajar.
A Dra. Amoretti, com sua postura elegante e profissional, estava revisando a lista de medicamentos e suplementos de Siena.