Siena Dal
O primeiro fim de semana na fazenda foi como viver em uma pintura. O ar era puro, a comida era divina e a paisagem era de tirar o fôlego. Mas eu me sentia como uma peça de museu, observada e monitorada a cada momento. Meus pais haviam vindo de São Paulo, e meus irmãos do meio, Lucas e Laura, que moravam e trabalhavam na fazenda, me tratavam com uma mistura de carinho e cautela, como se eu pudesse quebrar a qualquer momento.
A tensão atingiu o auge no domingo, quando minha irmã Bia, a dermatologista do Rio, chegou para o almoço. A mesa estava posta na varanda, uma festa de comida mineira, mas a atmosfera era pesada. A conversa era forçada, todos evitando o elefante – ou melhor, os dois elefantes – na sala.
Foi minha avó quem finalmente quebrou o gelo.
No meio do almoço, ela pousou os talheres com um barulho deliberado. Todos se calaram e olharam para ela. Nonna Isabella raramente levantava a voz, mas quando falava, todos escutavam.
—Estou velha e cansada—, ela começou, a voz