Capítulo trinta e oito

Miguel

Quando Helena entra pela porta, algo no meu corpo finalmente desmorona.

O mundo parece andar em círculos ao meu redor. Minha visão falha, meus olhos ardem, e meus joelhos quase cedem quando tento levantar do sofá. As mãos tremem tanto que mal reconheço meus próprios dedos.

— He… lena… — minha voz sai trêmula, arranhada, quase infantil.

Dou dois passos na direção dela e tropeço no tapete. O chão ameaça me engolir, mas Helena se move rápido demais. Me segura pelos braços, firme, calorosa, como sempre faz quando me ama.

Ela me enxerga como ninguém. Ela é minha âncora.

— Miguel… você piorou? — pergunta com um tom tão suave que quase me faz chorar.

Eu balanço a cabeça, tentando focar nela. Helena está borrada, como se fosse feita de luz tremida.

— Sim… sim. Eu achei que estava bem. Mas… hoje… — minha respiração falha — não consegui raciocinar. Não consegui trabalhar. E você… você não estava aqui.

O coração aperta quando digo isso. Dói. Dói porque eu precisava dela.

Dói porque me sen
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