Miguel
Quando Helena entra pela porta, algo no meu corpo finalmente desmorona.
O mundo parece andar em círculos ao meu redor. Minha visão falha, meus olhos ardem, e meus joelhos quase cedem quando tento levantar do sofá. As mãos tremem tanto que mal reconheço meus próprios dedos.
— He… lena… — minha voz sai trêmula, arranhada, quase infantil.
Dou dois passos na direção dela e tropeço no tapete. O chão ameaça me engolir, mas Helena se move rápido demais. Me segura pelos braços, firme, calorosa, como sempre faz quando me ama.
Ela me enxerga como ninguém. Ela é minha âncora.
— Miguel… você piorou? — pergunta com um tom tão suave que quase me faz chorar.
Eu balanço a cabeça, tentando focar nela. Helena está borrada, como se fosse feita de luz tremida.
— Sim… sim. Eu achei que estava bem. Mas… hoje… — minha respiração falha — não consegui raciocinar. Não consegui trabalhar. E você… você não estava aqui.
O coração aperta quando digo isso. Dói. Dói porque eu precisava dela.
Dói porque me sen