Capítulo dezesseis
O som do despertador às 8h é a primeira agressão do dia. Ele vibra como se zombasse de mim, lembrando que minha vida continua, mesmo quando eu não quero que continue. Eu o silencio e afundo o rosto no travesseiro do quarto de hóspedes. O tecido frio toca minha pele quente e inchada. Dormi vestida, a maquiagem inteira transformada em sombras escuras ao redor dos olhos.

O perfume das rosas invade o quarto pela fresta da porta. Um cheiro doce, abafado, que gruda na garganta. Um aroma que jamais deveria ter sido triste. Mas agora me lembra a perda. O fim. A mentira.

Levanto devagar, cada músculo protestando. Vou até o espelho.

A imagem que me encara parece uma versão mal desenhada de mim mesma.

O cabelo loiro, antes trançado pelas mãos de Desirée, está solto e embaraçado.

Os olhos, vermelhos. Não pelo sono, mas por alguém que não me quer.

Pego o celular com a ponta dos dedos, temendo o que já sei que está lá.

A mensagem dela ainda brilha na tela:

Sinto muito. Não podemos. P
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