38. O Despertar das Cores
*Ponto de Vista de Adam*
A música que pulsava nas paredes da minha cobertura era um ruído oco, uma tentativa barulhenta de preencher o silêncio que Ester deixara na minha alma. O uísque, embora do melhor rótulo, descia como fogo estéril pela minha garganta.
Eu circulava entre copos de cristal e risadas superficiais, mas a verdade era que eu me sentia em um deserto. Cada centímetro daquele apartamento — desde o mármore da cozinha até a seda dos lençóis — parecia um monumento ao meu fracass