Clara
Depois de um breve cumprimento, minha mãe se acomodou na cadeira à minha frente. Não demorou muito para que a garçonete se aproximasse, pronta para anotar nossos pedidos. Como sempre, pedi o meu chocolate quente favorito, enquanto minha mãe escolheu um cappuccino, de forma objetiva, como era típico dela. Assim que a garçonete saiu, o silêncio tomou conta da mesa, um daqueles silêncios que parecem pesados, mesmo em um ambiente leve como aquele.
Minha mãe foi a primeira a falar.
— Como vai o trabalho? — perguntou, a voz soando neutra, quase protocolar.
Contive o entusiasmo ao responder, tentando equilibrar a conversa.
— Está indo muito bem. Recentemente produzi um perfume para um lutador de MMA. Acho que vai ser bem popular.
Ela hesitou, e mesmo sem vê-la, pude imaginar a expressão de estranheza no rosto dela.
— MMA? Você está descendo o nível da sua clientela para um lutador de UFC?
Respirei fundo, já prevendo o julgamento na fala dela.
— Mãe, hoje em dia esse esporte movimen