Miguel
Não era possível que fosse ela de novo. Aquela garota cega, com seu jeito calmo e aparentemente deslocado, estava ali no meio de um lugar onde definitivamente não pertencia.
Antes que eu pudesse processar, vi outra figura ao lado dela. Carlos. Eu reconheci ele na hora, porque trabalha para o pai dela. E aí a preocupação me atingiu como um soco. Se Carlos decidisse contar ao chefe que eu estava envolvido em lutas clandestinas, eu estaria ferrado.
O emprego na casa dela era um dos melhores que já tive. Pagava bem, tinha benefícios, e por mais que eu não gostasse do jeito que o chefe olhava para mim, era estável. Perder aquilo? Eu não podia arriscar.
Minha mente começou a correr. Eu precisava sair daquela situação antes que as coisas ficassem feias. Sem pensar muito, puxei o boné que estava na mochila e vesti uma camiseta extra que tinha ali por perto, cobrindo parte do meu rosto.
Enquanto ajustava o boné e a camiseta para me disfarçar, Rafael entrou no vestiário, ainda com aquele