Narrado por Elena Volkov
O cais de Santa Lucia estava mergulhado em uma penumbra cinzenta. O carro de Marco Valente parou com um solavanco perto do antigo galpão de barcos. Meu coração parecia um pássaro batendo contra as costelas.
— Ele está lá — Marco disse, a voz tensa, apontando para uma silhueta encostada em um pilar de concreto.
Eu não esperei. Abri a porta e corri. Dante estava lá. Ele parecia ter saído diretamente do inferno: o terno estava rasgado, o rosto sujo de cinzas e sangue, e ele segurava o braço esquerdo com uma expressão de dor gélida. Ao vê-lo vivo, senti um alívio que quase me derrubou, mas quando nossos olhos se encontraram, o alívio deu lugar ao pavor.
Dante não estava olhando para mim com alívio. Ele estava olhando para o carro da polícia logo atrás.
— Você veio com ele — Dante sibilou, a voz saindo como um rosnado animal.
— Ele nos tirou do telhado, Dante! O prédio ia desabar! — tentei me aproximar, mas ele levantou a mão direita, ainda empunhando sua pistola,