Narrado por Dante Moretti
Meus dedos apertavam o pescoço de Elena, sentindo o pulsar rápido da sua veia carótida. Eu via o medo nos olhos dela, mas também uma aceitação trágica que me rasgava por dentro. Se eu fosse o Dom que meu pai criou, eu a mataria agora e queimaria este escritório com tudo dentro.
Mas eu olhei para as manchas de sangue no vestido dela — o sangue dos inimigos que ela abateu para me proteger — e minha mão fraquejou.
Eu não podia matá-la. Eu estava viciado nela.
— Dante... — ela sussurrou, uma única lágrima abrindo caminho pela sujeira em seu rosto. — Se for para morrer, que seja pelas suas mãos.
Soltei-a bruscamente. Peguei o isqueiro de prata sobre a mesa e ateei fogo nos documentos originais. Em seguida, joguei o pen drive no chão e o esmaguei com o salto da minha bota até que restasse apenas plástico e metal retorcido.
— Isso nunca aconteceu — sibilei, pegando-a pelo rosto e forçando-a a me olhar. — Você não é uma Moretti. Você não é herdeira de ninguém. Você é