— Conte! — desafiei, e um sorriso sem humor esticou meus lábios.
Era assustador, mas também libertador. Baixei meu tom para que só ela pudesse ouvir.
— Conte pra ele que você não aguenta mais o serviço sujo dele. Que a pessoa que ele sequestrou tá sendo torturada em algum lugar, e você aqui, lavando xícara e julgando meu pão de forma. Conte tudo. Acho que ele vai adorar saber que a mamãezinha tá com nojinho.
O seu rosto perdeu a cor. Ela não sabia dos detalhes, mas sabia o suficiente. Sabia que algo muito errado estava acontecendo e meu despejo de verdades a atingiu como um balde de água gelada.
— Você… você está louca. Descontrolada. É por isso que ele tem que te conter — ela sussurrou, mas a sua coragem tinha ido embora.
— Não, Célia. O que tem que acontecer é você ir embora. Agora. — Apontei para a porta da cozinha. — Pegue suas coisas e chame um táxi. Volte para a sua casa. Eu não quero você mais aqui.
Ela riu, um som estridente e sem graça.
— Eu não vou a lugar nenhum. O Thale