(Visão de Rafael)
A impotência era um animal vivo roendo meus ossos por dentro. A dor na perna tinha virado um latejar constante e maçante, mas era a limitação que me enlouquecia.
Eu estava preso nesta maldita cadeira de rodas, num quarto de hóspedes do andar de baixo que virou meu bunker.
Tudo o que eu era, a força, o controle, a capacidade de ir, tinha sido reduzido a esta peça de metal e plástico.
Tentei alcançar a caneca de café que estava na mesinha de centro, um pouco fora do alcance.