A semana tinha se arrastado numa névoa de terror. Meus olhos no espelho estavam fundos, cercados por olheiras que nem a melhor maquiagem do mundo esconderia.
Foi por isso que, quando a campainha tocou naquela tarde de quinta-feira, meu coração deu um salto para a garganta. Podia ser ele, voltando mais cedo.
Ouvi os passos rápidos de Célia, indo atender. Seu tom de voz, normalmente condescendente, ficou um pouco surpreso.
— Eduardo! Que surpresa.
Eduardo.
O nome cortou a névoa como um raio. Meu irmão, aqui. Antes que eu pudesse me recompor, ouvi a voz dele, firme e saudável e senti um alívio que quase me fez desabar.
— Bom dia, dona Célia. Vim ver a Lorena. Ela tá em casa?
— Está sim, mas…
Corri os dedos pelo cabelo, tentando parecer menos um fantasma, e saí do corredor em direção à sala.
E foi então que vi a cena que congelou meu sangue de Eduardo parado na porta da sala, e Thales saindo do quarto de Alana, na direção oposta.
Os dois se olharam por um momento e Thales apenas deu