Eu ouvi tudo.
Sem interromper, sem tentar rebater de imediato, apenas absorvendo cada palavra do Enrico, do jeito direto que sempre foi, sem filtro, sem preocupação em aliviar o peso do que estava dizendo.
E, por mais incômodo que fosse admitir, fazia sentido.
Depois de um tempo que eu nem me dei ao trabalho de contar, a conversa desacelerou, o silêncio ocupando o espaço entre uma fala e outra até que ele se encostou levemente no balcão, cruzando os braços, me observando com mais atenção.
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