O Grito Silencioso
O apartamento amanheceu envolto por uma névoa úmida.
Lá fora, o som distante de sirenes misturava-se ao canto rouco de pombas nos parapeitos. Gabriel acordou antes mesmo dos raios de sol.
O braço latejava, mas a dor era menor que o aperto no peito.
Os olhos pesados avistaram, na escrivaninha, o vidro de um calmante que Raquel deixara estrategicamente ao alcance, como se fosse uma ordem para mantê-lo calmo.
Ele recusou o comprimido, sacudiu a cabeça e tentou ignorar a mão i