Luna
A casa dos meus pais sempre teve um cheiro específico.
Café passado na hora certa, madeira antiga, roupa limpa secando ao sol. Um cheiro que não vinha de um produto, mas de constância. De cuidado repetido ao longo dos anos.
Quando descemos do carro, Marco respirou fundo antes mesmo de sair.
— Nervoso? — perguntei, sorrindo.
Ele fechou a porta com calma.
— Um pouco — admitiu. — Aqui eu não posso me esconder atrás de cargo, sobrenome ou discurso bonito.
— Aqui ninguém liga pra isso — respond