Pamela
A casa estava silenciosa demais.
Um silêncio pesado, sufocante, que parecia apertar meu peito a cada segundo que passava. Eu estava sentada no sofá, abraçando um travesseiro como se fosse um dos meus filhos. Minhas mãos tremiam sem parar. O celular não saía da minha mão nem por um segundo.
Nenhuma ligação.
Nada.
A polícia já tinha sido chamada. Dois agentes estavam ali, sentados à nossa frente, fazendo anotações, observando cada detalhe, como se alguma coisa naquela sala pudesse explicar o que tinha acontecido.
Mas não podia.
Porque o que aconteceu não fazia sentido nenhum.
Caleb andava de um lado para o outro. Ele não conseguia ficar parado. Passava a mão no cabelo, respirava fundo, cerrava o maxilar. Eu conhecia aquele jeito. Ele estava se segurando pra não desmoronar.
— Eles vão ligar — ele falou, mais pra si mesmo do que pra mim. — Eles sempre ligam.
Eu balancei a cabeça, mas não consegui responder. Minha garganta estava travada. Toda vez que eu fechava os olhos, via a rua