Pamela
Eu saí de casa tentando fingir normalidade.
As crianças estavam animadas. Rindo, falando alto, apontando tudo na rua como se o mundo fosse seguro o tempo todo. A babá caminhava ao meu lado, empurrando o carrinho, tranquila. Eu respirei fundo e pensei que talvez eu estivesse exagerando nos medos. Talvez minha cabeça estivesse criando monstros onde não existiam.
O sol estava fraco, a rua quase vazia. Era um bairro calmo, daqueles que passam uma falsa sensação de proteção. Eu andava devagar, segurando a mão de uma das crianças, sentindo aquele calorzinho pequeno que sempre me acalmava.
— Olha, mamãe! — um deles falou, apontando pra um cachorro do outro lado da rua.
Eu sorri.
Sorri de verdade.
E foi aí que tudo desandou.
O barulho do carro vindo devagar chamou minha atenção. Não era um som normal. Não era alguém passando direto. Era lento demais. Controlado demais.
Olhei por reflexo.
Um carro escuro parou alguns metros à frente.
Meu corpo inteiro ficou em alerta, antes mesmo da min