Caleb
O telefone na mão da Pamela parecia pesar uma tonelada.
Eu estava de pé, a poucos passos dela, sem coragem de chegar perto demais. Como se qualquer movimento errado pudesse fazer aquela ligação cair. Como se minha presença pudesse atrapalhar. Eu nunca me senti tão inútil na vida.
— Alô… por favor… — a voz dela estava quebrada, quase irreconhecível.
Do outro lado da linha, eu não ouvia nada. Só o silêncio cortado pela respiração descontrolada da Pamela. Um silêncio cruel, daqueles feitos pra machucar.
Eu fechei os punhos.
Minha cabeça funcionava rápido demais e lento ao mesmo tempo. Rápido pra pensar em mil cenários. Lento pra aceitar que meus filhos não estavam ali.
— Eu faço qualquer coisa — Pamela continuou. — Qualquer coisa. Só… só não machuquem eles.
Eu senti algo rasgar por dentro.
Queria arrancar aquele telefone da mão dela e gritar. Queria prometer dinheiro, poder, tudo. Mas eu sabia: quem estava do outro lado queria controle. E Pamela, naquele momento, estava entregue.
E