Daniel
Foram três anos.
Três anos que pareceram uma vida inteira e, ao mesmo tempo, um piscar de olhos cruel.
Eu vivi em função da minha mãe. Tudo girava em torno dela. Horários de remédio, exames, sessões de radioterapia, retornos médicos, filas de hospital, cheiro de álcool, cadeiras duras, silêncio pesado. Quem vive isso sabe. Não tem glamour nenhum. Só cansaço.
Eu trabalhava o tempo todo. Não porque eu queria enriquecer mais, mas porque eu precisava manter tudo funcionando. Empresa, contas, tratamento, casa. Eu dormia pouco. Às vezes dormia sentado. Às vezes nem dormia.
Durante o dia, eu era o Daniel executivo. Resolvia problemas, fechava contratos, dava ordens, mantinha a postura. À noite, eu era só um filho tentando não desmoronar.
Minha mãe perdeu o cabelo. Depois perdeu peso. Depois perdeu força. Mas nunca perdeu a dignidade. Isso era o que mais me machucava. Ela pedia desculpa por dar trabalho. Pedia desculpa por eu faltar reuniões. Pedia desculpa por estar doente.
E eu fica