— Acabou, Daniel — murmurei. — Você só ainda não sabe.
Caleb
Eu nem lembro direito quando o dia virou noite e depois virou manhã. Só sei que o céu clareou do lado de fora e eu ainda estava acordado. O corpo pesado, a cabeça em alerta, o coração em guerra.
Amanheci organizando tudo.
Mesa cheia de papel, celular carregando, notebook aberto, café frio esquecido do lado. Eu fazia listas, riscava, refazia. Quem ligar. Quem cobrar. Quem pressionar. Quem seguir. Não podia perder o controle agora. Se eu perdesse, tudo desandava.
MInha mãe saiu do quarto primeiro. Olhos inchados, maquiagem borrada, o rosto de uma avó que teve o pior medo da vida arrancado do peito. Ela veio até mim, me abraçou forte, daquele jeito que não precisa de palavra nenhuma.
— Me liga — ela disse, a voz falhando. — Qualquer coisa, me liga.
Meu pai veio logo atrás. Não falou muito. Só colocou a mão no meu ombro, apertou com força e disse:
— Vai dar certo. Você vai trazer eles de volta.
Eu assenti. Não porque eu tinha certeza. Mas porque eu precisava acreditar.
Eles foram em