Daniel
Eu cresci.
Não foi de uma vez. Não foi bonito. Foi na marra.
Depois daquela descoberta, depois da promessa que fiz a mim mesmo, eu entendi uma coisa: se eu fosse ficar só afundado na raiva, eu não ia chegar a lugar nenhum. Ódio cansa. Ódio consome. E eu precisava sobreviver antes de pensar em vingança.
Então eu fiz o que sabia fazer melhor naquele momento: segui em frente.
Terminei a escola. Entrei na faculdade de administração. Não porque era meu sonho, mas porque fazia sentido. Eu precisava entender como o mundo funcionava. Dinheiro, poder, empresas, decisões. Tudo isso sempre teve um peso estranho pra mim, como se um dia fosse útil.
E foi.
Eu estudava muito. Mais do que precisava. Enquanto muita gente saía pra beber, pra curtir, eu ficava lendo, fazendo plano, pensando em futuro. Não porque eu fosse disciplinado demais, mas porque se eu parasse… a cabeça voltava praquele buraco.
A faculdade passou rápido. E eu me destaquei. Não por ser genial, mas porque eu não tinha plano B