16. A verdade
Certa noite, como já era de costume, Henry preparou o nosso jantar, mais uma de suas iguarias francesas, dessa vez à base de fígado. Eu até gostava desse tipo de carne, porém o cheiro estava me incomodando extremamente e assim que coloquei a primeira colherada na boca, corri para o banheiro para vomitar.
— O que houve, mon amour? Ficou ruim? — Ele foi ao meu encontro preocupado.
— Não, está gostoso, mas o cheiro… Acho que o meu estômago não está legal…
Exatamente naquela noite, enquanto eu passava mal, o interfone tocou e ele me deixou por um momento para atender. Quando eu finalmente saí do banheiro, haviam duas mulheres com ele na sala, uma senhora de aparência elegante e uma moça mais jovem, muito bonita por sinal.
Ambas conversavam com ele em francês, e ele estava abraçando a mais velha, quando em seguida a mais nova o beijou na boca. Nesse momento meu coração parou. Ainda observando escondida, notei que ele ficou desconfortável e nervoso, então olhou na direção do banheiro, dand