Mundo de ficçãoIniciar sessão*** Capítulo 6***
CANSU SMITH NARRANDO Eu fiquei em choque enquanto processava suas palavras dolorosas, é isso que ele pensa de mim? Que eu sou uma prostituta aproveitadora que engravidou de propósito só para conseguir seu dinheiro? Em primeiro lugar, eu não queria estar aqui, eu não tenho escolha, estou sem dinheiro para bancar minhas despesas básicas. Segundo, minha filha precisa de um pouco de conforto enquanto me organizo, eu só, eu só preciso de um tempo. Um pouco mais de tempo, depois irei desaparecer da sua vida do mesmo jeito que apareci. - CARLOS... Eu tentei disfarçar meu desconforto, Carlos respirou fundo e foi em direção as escadas rapidamente, ele está visivelmente irritado. É evidente que ele não quer minha filha. - Nós sentimos muito. Senhor Anderson disse irritado. - Carlos precisa de um tempo para processar a novidade, por favor, tenha paciência. Eu assenti. - Nós daremos assistência necessária até que aquele idiota tome juízo. Ele abriu sua carteira. - Não precisa. Eu falei rápido. - Eu sou pai de 3 filhos, acredite em me, não é fácil carregar um filho, ainda mais sozinha, e pela sua cara, você está sem condições financeiras, desabrigada e ainda precisa lidar com um idiota. Eu suspirei. - Leve este cartão. Ele estendeu a mão. - Vá a melhor clínica e tenha o melhor atendimento médico, aquele idiota quando cair em si, irá recompor todo valor gasto na sua gestação. Eu balancei a cabeça negativamente. - Eu estou bem, posso.... - Você é capaz, todos nós sabemos disso, mas, esse filho não tem culpa, vocês dois foram irresponsáveis, logo, a culpa tem que ser compartilhada. Como seus amigos, nós vamos nos responsabilizar. Eu suspirei fundo. Isso não está certo. Ele colocou o cartão na minha mão. - Na agenda do Carlos tem nossos contatos, ligue se for urgente. Eu assenti os tranquilizando, eles saíram do apartamento e eu suspirei fundo, olhei para o cartão de crédito em minha mão, eu não preciso disso. Se o pai não quer assumir a responsabilidade, nenhuma outra pessoa o fará, guardei comida no microondas e fui para meu quarto, não preciso de Carlos, vou dar um jeito de conseguir uma casinha para alugar. Na manhã seguinte na faculdade; - O quê? Questionou Elsa surpresa, eu encolhi os ombros tentando explicar a ela o que aconteceu ontem. - Agora você tem dinheiro. Ela está louca? Não é meu dinheiro. - Não é meu dinheiro, como eu poderia aceitar? - Sua filha merece de melhores condições. Elsa falou, ela não está errada, mas, não é justo que os outros se responsabilizem pela minha filha. - Eu vou dar tudo o que ela precisa. Afirmei confiante. - Você é orgulhosa. Elsa falou suavemente e nós suspiramos fundo. - Eu sinto muito por te dar tanto trabalho. Ela balançou a cabeça negativamente. - Nós somos amigos, você fará o mesmo que eu. Eu sorrio. - Vamos, você precisa fazer pré natal. - Sim, sim. Nós ficamos em pé, Elsa acompanhou-me para o hospital mais próximo da faculdade. Começaram por fazer exames de sangue, depois mediram minha barriga e peso atual, registraram em detalhes, meu parto está previsto para final de novembro a início de dezembro, ainda tinha 4 meses para me organizar devidamente. - Vamos comprar algumas roupinhas no bazar, para trazer boas energias ao bebê. Elsa falou animada, eu balancei a cabeça concordando, sim, sim, é uma boa ideia. - Sim. Bato as mãos animada. Nós fomos ao bazar comprar as primeiras peças de roupas para minha menina. - Olha este.. Elsa exibiu um vestido rosa para recém nascido, ele é tão lindo, o bordado na gola pescoço trás modernidade e leveza. - É tão lindo. Digo animada. - Vamos levar este e aqueles sapatinhos. Eu assenti concordando, Elsa pagou a conta e cada uma foi para seu local de trabalho. Cheguei no apartamento do Carlos bem tarde da noite porque hoje foi um dia agitado no restaurante, meus pés estavam um pouco doloridos por ficar muito tempo em pé, arrastei meu corpo até a geladeira da cozinha, preciso de água fresca para beber antes de ir deitar. - Ups. Ouço uma voz feminina desconhecida, virei o corpo e encontrei uma mulher seminua espreitando a geladeira. - Boa noite. Eu digo. - Eu sinto muito, pensei que Carlos vivesse sozinho. Claro que ele fez de propósito. - Ele vive, só passei para assaltar sua geladeira. Eu falei descontraída, a mulher riu da piada. - Você está grávida? Ela perguntou e eu balancei a cabeça. - Eu realmente sinto muito, eu não sabia. - Não se preocupe, fique à vontade, vou descansar. Eu falei calmamente, levei a garrafinha de água e fui ao meu quarto, tirei minhas roupas, arrastei meu corpo para o banheiro e tomei banho demorado, organizei minha mochila e roupas para amanhã, depois entrei debaixo dos cobertores para descansar. - Você é um idiota, Carlos. Eu ouvi a voz daquela mulher da cozinha, eles já estão brigando? - Você não disse isso quando eu estava te fodendo. - Eu não sabia o mal caráter que você tem. - Mal caráter? Eu falei a verdade, aquele filho não é meu, eu não quero ele. Oh, então esse é o motivo da briga, coitada daquela mulher, ela não deveria se intrometer nos assuntos que não são dela, Carlos é impossível, perca de tempo falar com ele. Houve silêncio absoluto entre eles, então decidi dormir e parar de ser fofoqueira, acordei sobressaltada ao sentir presença de alguém no quarto, liguei o abajur e dei de cara com Carlos me encarando com raiva, apressadamente eu fiquei na posição sentada. - O que está fazendo aqui? Eu falei tentando manter a calma, Carlos olhou para minha barriga exposta, depois olhou para meu rosto. - Quanto precisa? Do que ele está falando? - O que você disse? - Quanto precisa para tirar essa barriga. Meu coração parou em choque, ele estava falando sério? - Eu sou rico, posso te dar muito dinheiro, só se livre desse bebê. Eu levantei a mão e dei um tapa forte no seu rosto, Carlos passou a mão no rosto surpreso com minha atitude. - Saía do quarto. Eu falei rápido. - Eu.. - Saía do quarto. Eu gritei sentindo lágrimas escorrendo no meu rosto, ele acha mesmo que não tentei abortar? Eu não consegui, minha Filha pediu para viver, e nada me fará mudar de ideia, ela irá nascer, mesmo que o pai a rejeite, minha filha irá nascer. - Minha filha merece viver. Eu limpei as lágrimas no meu rosto, não acredito que o pai da minha filha é um idiota inacessível.






