Nossa primeira noite...

Brianna

Ares tinha aquela presença, aquela forma silenciosa de existir que preenche tudo ao redor. Mesmo depois de fechar a porta do banheiro, eu ainda sentia o impacto do olhar dele sobre mim. Não era pressão. Não era cobrança. Era cuidado. Um cuidado que eu não estava acostumada a receber, depois que perdi minha avó que era tudo que eu tinha, foi a primeira vez que senti o mesmo olhar amoroso dela, através do Ares, ele é um homem lindo, com um corpo que qualquer mulher o desejaria.

Encostei as mãos na pia por alguns segundos antes de abrir o chuveiro. Minha garganta ardia, não de dor, mas da vontade quase infantil de chorar de alívio, de medo, de tudo misturado. A água quente caiu sobre meus ombros, e por alguns instantes eu deixei que ela carregasse a tensão acumulada nos últimos dias.

Eu era casada agora. Casada.

Com um homem que mal conhecia, mas que fez parte da minha infância e que, ao mesmo tempo, parecia me enxergar de uma forma que ninguém nunca viu.

Fechei os olhos e tentei lembrar do Ares e dos momentos que vivenciamos juntos, mas em todos eles o Davi estava lá, e parte de mim, gostaria de não ter perdido o meu melhor amigo, como seria se ele ainda estivesse vivo? Será que do céu, ele está olhando por mim? E o que Deus tem proporcionado para minha vida é estar com o Ares?

A forma como ele me abraçou lá dentro, firme, mas não invasiva. Como se estivesse segurando algo precioso que poderia quebrar a qualquer instante. Eu não sabia lidar com isso. Não sabia como reagir ao fato de alguém querer me proteger e não me usar, me ferir.

Naquele momento, tudo que eu mais queria era chorar, ainda sentia dor das marcas que ainda não haviam se apagado em meu corpo, em meu coração, parte de mim, sempre soube que não sentia amor, mas estava com medo de quem eu poderia ser sozinha, achava que após perder minha avó, ter um namorado, seria como preencher um vazio que havia habitado em mim.

E o jeito como ele disse “Eu também sou seu” fez meu coração tropeçar no peito. Ares falava pouco, mas quando falava, marcava.

Enquanto esfregava o sabonete nos braços, pensei no abraço que dei, que dei antes de pensar. Foi instinto. Instinto de alguém cansada, assustada, que encontrou um porto seguro no lugar menos esperado. E ele retribuiu.

Saí do banho enrolada na toalha, o vapor quente preenchendo o quarto ao sair do banheiro. Dei passos lentos até a cama, onde minha pequena mala continuava intacta, como se fosse o último pedaço de vida antiga que eu ainda carregava.

Abri o zíper, tirando algumas roupas dobradas às pressas, meio amassadas. Ares disse que eu podia ter tudo, trocar tudo,mas parte de mim ainda não estava pronta para abandonar a pessoa que fui, mesmo que essa pessoa estivesse quebrada.

Enquanto escolhia uma camisola simples, ouvi passos no corredor. Ele não entrou. Só ficou ali, do lado de fora, respeitando, mas presente. Isso isso mexia comigo.

Vesti a camisola, puxei o cabelo ainda úmido para trás e, por um segundo, olhei meu reflexo na janela. O jardim iluminado parecia um mundo distante e calmo, completamente diferente do caos que existia dentro de mim.

Eu precisava ser forte.

Eu precisava me reconstruir. E pela primeira vez , eu não precisasse fazer isso sozinha.

Caminhei até a porta e a abri com cuidado. Ares estava encostado na parede oposta, braços cruzados, como se estivesse esperando que eu o deixasse entrar.

Quando nossos olhos se encontraram, senti algo se acender dentro de mim. Algo novo. Algo confuso.

— Terminei — murmurei.

Ele descruzou os braços e deu um passo em minha direção, mas só um. O suficiente para mostrar que vinha, mas me dando espaço para recuar se eu precisasse.

— Tudo bem? — perguntou, a voz baixa, quase rouca.

Assenti, apenas balançando a cabeça em sinal positivo.

Ele tocou de leve meus dedos, sem segurar de fato, como se pedisse permissão apenas com o toque.

— A partir de hoje — ele disse, encarando meu rosto como quem enxerga através da alma — você não precisa ter medo de nada. Não enquanto eu estiver com você, eu não sou apenas seu amigo de infância, mas seu esposo.

Meu peito apertou. Não de dor, de esperança.

— Eu estou tentando acreditar nisso — admiti.

Um canto da boca dele subiu, suave, e pela primeira vez vi um sorriso verdadeiro, pequeno, quase secreto e ele me lembrava o Davi.

— Eu ajudo você com isso. Um dia de cada vez.

E naquele instante, percebi que Ares não era apenas meu protetor improvisado. Não era apenas o homem com quem eu agora era casada por necessidade.

Ele era alguém que poderia, perigosamente, começar a significar algo mais.E isso me assustava tanto quanto me atraía.

Mas pela primeira vez em muito tempo, o medo não venceu. Respirei fundo.

— Pode ficar comigo? — perguntei. — Só até eu dormir.

Ele não hesitou nem por um segundo.

— Não só posso, como dormirei ao seu lado, estarei com você ao acordar também.— respondeu, a voz firme e carinhosa ao mesmo tempo. — Podemos dormir abraçados, inclusive.

E assim, juntos, entramos no quarto que agora era nosso.

continua...

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