Minha escolha...
Ares Sins
Assim que as palavras Eu aceito, saíram dos lábios da Brianna, algo dentro de mim se alinhou. Como se parte da minha alma, aquela que ficou quebrada por tanto tempo, tivesse encontrado onde encaixar novamente.
Mas não havia tempo para saborear isso.
Havia perigo.Havia urgência.
E eu jamais arriscaria perder ela de novo.
— Vamos agora, — murmurei, ainda segurando seu rosto. —Nos casaremos agora mesmo.
Ela assentiu, tensa, como quem pisa num chão que pode ruir a qualquer momento.
No carro, o silêncio tomou conta de nós. O motorista seguia rápido pelas ruas, enquanto eu, ao lado dela, observava cada tremor de suas mãos.
Eu queria alcançá-la.Tocá-la. Mas sabia que tudo nela estava frágil demais naquele momento.
Quando chegamos ao cartório, discreto, quase escondidos a funcionária nos recebeu com um olhar curioso.
— Está tudo certo para o horário marcado, senhor Sins.
Brianna me lançou um olhar confuso.
Nós entramos numa sala pequena, iluminada apenas pelo necessário. Nada de flores, nada de convidados, nada de música.
Era rápido.Frio.Mas era real.
E quando o juiz entrou, Brianna respirou fundo como se estivesse nadando em águas profundas.
Ele falou.Leu termos.Perguntou.
E quando pediu que eu declarasse…
Meu peito se abriu.
— Eu, Ares, assumo Briannacomo minha esposa. Para protegê-la, honrá-la e garantir que nada nesse mundo toque nela sem passar por mim.
A voz do juiz vacilou por um segundo, surpreendido. Brianna também.
Ela apertou os dedos com as mãos entrelaçadas uma na outra e declaro com uma voz fraca, mas firme:
— Eu… eu aceito.
E aquilo foi o suficiente.
A assinatura dela tremia.
A minha, parecia cravejada no papel como ferro quente.
No final, o juiz nos parabenizou, mas seu olhar dizia o que eu já sabia.
Casamentos assim, nunca são apenas casamentos. Quando saímos do cartório, o vento bateu forte, levantando alguns fios do cabelo dela.
Ela parou na calçada. Olhou para a aliança no dedo.
E parecia não saber se deveria chorar, correr ou respirar.
Então eu cheguei perto, mas sem tocá-la, respeitando o medo que ela escondia.
— Brianna…
Ela ergueu o olhar.
E eu deixei a verdade sair, sem rodeios:
— Quando você sentir o mesmo que eu sinto por você,nós nos casamos de verdade. Na igreja. Como você merece. Com flores, música, votos, tudo que um amor deve ter.
O lábio dela tremeu.
— Ares… eu não sei se algum dia…
Eu sorri, devagar, firme, confiante.
— Eu sei.— Toquei sua mão.
— E não tenho pressa. O mundo inteiro pode ruir enquanto eu espero e espero que sinta o mesmo por mim.
Ela não respondeu.
Mas os olhos disseram mais do que qualquer palavra.
Voltamos para o carro, e ela ficou olhando a cidade passar pela janela, como se tentasse memorizar o pouco de vida que restava antes do que viria.
Quando chegamos ao hotel velho onde ela estava hospedada, senti raiva.
Raiva de saber que enquanto eu respirava mansões, segurança e riqueza, ela sobrevivia, após abusos nos Estados Unidos, estava unindo forças em Paris, em um lugar onde portas não pareciam fortes o suficiente.
Entramos no pequeno quarto, e ela começou a arrumar as coisas em silêncio, e eram poucas demais. Uma mala pequena, algumas roupas dobradas, um livro gasto, um celular que parecia viver à beira de morrer.
Aquilo me atravessou. Ela tinha tão pouco.
E mesmo assim… carregava tanto peso.
— É só isso? — perguntei.
Ela suspirou, sem me encarar.
— É tudo que eu tenho.
Quando ouvi aquilo, jurei internamente que um dia ela teria o mundo inteiro se quisesse, ou eu daria todo meu mundo a ela.
Ela fechou a mala, respirou fundo e disse:
—Podemos ir!
Eu segurei a mala — e ela não protestou.
Era leve demais.
Leve o suficiente para me dar mais raiva ainda das coisas que o ex tinha tirado dela, a começar pela segurança e felicidade.
A estrada até minha mansão foi silenciosa, mas dessa vez não era desconforto. Era cansaço. Era entrega. Era alívio escondido.
Quando chegamos, os portões se abriram automaticamente, revelando o caminho de pedras, as luzes suaves, a estrutura imensa que se erguia contra o céu.
Brianna arregalou os olhos.
E eu senti orgulho, não da casa, mas do fato de que agora ela tinha um lugar onde ninguém a alcançaria.
— É… enorme, ela murmurou, quase sem voz.
—Mas não precisa ter medo, respondi. — Esse lugar é seu agora também, é o nosso lar.
Ela me olhou com surpresa, quase incredulidade.
Eu estendi a mão.
—Venha.
Ela hesitou… depois colocou sua mão na minha.
E juntos entramos na mansão. Assim que a porta se fechou atrás de nós, eu soube:
A partir daquele momento, Brianna, não era mais apenas alguém do meu passado.
Era minha esposa. Minha responsabilidade.
Minha real e verdadeira felicidade.
E ninguém, absolutamente ninguém, tocaria nela enquanto eu respirasse.
O silêncio dentro da mansão parecia mais alto do que no carro.
Ela olhava tudo com um misto de espanto e receio, como se cada detalhe fosse grande demais, luxuoso demais, distante demais da realidade dela.Do sofrimento dela.
Eu não queria que ela sentisse isso.
Eu queria que ela sentisse segurança. Pertencimento. Paz.
— Você não precisa ficar nervosa — falei, caminhando devagar ao lado dela, observando seus passos cuidadosos sobre o mármore polido.
— Aqui… ninguém encosta em você. Nunca mais.
Ela engoliu seco, ajeitando a alça da bolsa no ombro.
— Ainda não me acostumei com a ideia de… tudo isso — confessou. — De ser casada. De estar aqui. De… você me proteger assim.
— Brianna — parei na frente dela, fazendo com que ela também parasse — nós nos casamos porque você precisava. Mas também porque eu queria. Porque eu já senti isso por muito tempo, muito mais do que deveria admitir.
Ela corou, desviando o olhar.
Caramba… eu poderia ver aquela timidez dela mil vezes e ainda assim queria memorizar cada segundo.
— Você não precisa dizer nada agora — continuei. — Só deixe eu cuidar de você. Até o dia em que seu coração decidir cuidar de mim também.
Ela levantou o olhar, e havia algo novo ali. Não era paixão. Não era amor.Ainda.
Mas era confiança.E isso, para mim, valia como ouro.
— Onde eu, onde eu fico? — perguntou baixinho.
Senti meus lábios puxarem um sorriso inevitável.
— No nosso quarto, mas não tocarei em você.
Pelo menos por enquanto, mas quero que saiba que eu a desejo, mas só a terei se você permitir.
Ela assentiu devagar, claramente aliviada.
Eu podia esperar. Não importava quanto tempo levasse. Só o fato de ela estar ali já era mais do que um homem como eu deveria pedir.
Subimos a escada principal, e percebi que ela tentava fazer o mínimo de barulho possível, como se tivesse medo de incomodar.
Isso me machucou mais do que eu gostaria de admitir.
No corredor, parei diante da porta branca e a empurrei suavemente.
— É simples, mas confortável. Se quiser mudar qualquer coisa, é só dizer, absolutamente tudo que está vendo lhe pertence.
Me aproximei dela o suficiente e sussurrei no seu ouvido:
—Também sou seu!
Ela entrou devagar, olhando cada canto, o closet, a cama grande, a janela enorme que dava vista para o jardim iluminado.
— Eu… não sei o que dizer — murmurou, emocionada.
— Não precisa dizer nada. — Cruzei os braços, encostado no batente da porta. — Só respira. Você está segura agora.
Ela colocou a pequena mala sobre a cama.
E então fez algo que me pegou desprevenido:
Ela se virou e me abraçou.
Sem aviso.Sem hesitação.Sem medo.
Um abraço apertado, frágil e ao mesmo tempo desesperado.
E eu a envolvi imediatamente, prendendo ela contra o meu peito, sentindo o tremor leve do corpo dela, o cheiro suave do cabelo, a respiração curta.
— Obrigada… — ela sussurrou. — Por não me deixar sozinha.
Meu maxilar travou com a força das emoções que aquilo me provocou.
— Eu nunca deixaria — respondi contra o topo da cabeça dela. — Eu prometo.
Ela se afastou devagar, com um pequeno sorriso triste.
— Acho que… vou tomar um banho.
Eu não soltei a mão dela, lentamente a trouxe para mim e a abracei novamente, sussurrei em seu ouvido e disse:
—Quer companhia no banho?
—É melhor que eu vá sozinha.
Eu ainda estava na porta quando ela entrou no banheiro, e fiquei parado ali, observando-a desaparecer atrás da porta de vidro fosco.
E então percebi:
A partir daquele momento, não era apenas sobre proteger.Era sobre reconstruir.O coração dela.
A confiança dela.A vida dela.
E eu faria isso, nem que fosse sozinho contra o mundo inteiro. Porque ela era minha esposa e minha escolha.
Continua....