Cap 5

Capítulo 5

Crystal Dixson

O som alto, as risadas exageradas, o cheiro de álcool e outras substâncias ilícitas... tudo aquilo me incomoda.

Nunca gostei muito de festas. Essa é a verdade.

Sempre me sinto meio perdida no meio de tanta gente animada. Não sei explicar, eu simplesmente não me encaixo.

Não consigo esquecer o resto do mundo e me entregar às batidas das músicas, ou me enturmar com pessoas em meio a conversas e goles de cerveja.

Sempre que vou a alguma festa com a Gina, acabo me sentindo sozinha. Talvez o pessoal do ensino médio e agora da universidade tenha razão quando diz que sou esquisita.

Afinal, que garota de dezenove anos não gosta de festas?

Bom... aparentemente, eu.

Acho que a Gina tem razão quando diz que tenho uma alma antiga. Talvez seja essa a única explicação para eu não gostar das mesmas coisas que pessoas da minha idade geralmente gostam.

Estar nessa festa é um grande sacrifício para mim.

Um sacrifício que só estou fazendo pela minha amizade com a Gina.

Sério, eu mal cheguei e já quero ir embora.

Gina — Vem, amiga. Os rapazes estão ali esperando a gente.

Tínhamos saído de perto do Kellan e do tal Justin para ela ir ao banheiro.

Gina sempre fazia isso. Bebia muita cerveja e depois precisava correr para o banheiro.

No meu lugar, eu nem beberia. Nunca entendi qual era a graça.

Quando estamos quase alcançando os garotos, ela para e solta meus cabelos.

Gina — Seja mais simpática. O Justin está se esforçando. Ele está tentando conversar com você a noite inteira.

Crystal — Eu não acho que perguntar quanto eu acho que ele mede de bíceps seja exatamente puxar conversa, pelo amor de Deus. E me dá minha presilha. Não quero ficar com o cabelo solto, está calor aqui.

Gina — Ele só não sabe o que falar, tadinho. E não vou devolver a presilha coisa nenhuma. O Justin gosta do seu cabelo. Ele comentou com o Kellan. Vai, amiga, dá uma chance para ele. O cara está se esforçando.

Crystal — Se esforçando? Eu não vi nada disso. Ele acha que eu deveria me sentir lisonjeada por ter a atenção dele, e essas são palavras dele, não minhas.

Revirei os olhos.

Crystal — Olha, vou ficar só mais meia hora e depois vou para casa. O Justin queria um encontro e teve. Pronto. Agora ele pode cumprir a parte dele no trato e falar bem do Kellan para o técnico.

Gina — Crystal, dá uma chance para ele, amiga. Sua boca já está criando teia de aranha, e eu nem vou falar da sua amiguinha aí embaixo. Ela nunca viu um pau na vida.

Crystal — Eu não acho que ser virgem seja um problema. E outra, se for para beijar alguém por quem eu não sinto a mínima atração, então pode deixar minha boca cheia de teia de aranha mesmo. Não me importo.

Gina — Então, pelo menos deixa o Justin te levar para casa.

Soltei um suspiro, me dando por vencida.

Quanto mais eu discutisse com ela, mais tempo seria obrigada a ficar naquela festa chata.

Crystal — Tudo bem. Mas, já que é assim, não vou ficar nem mais um minuto aqui. Vou embora agora.

Falei e passei por ela, indo em direção aos meninos.

Gina — Você realmente não sabe se divertir. Só pode ter uma alma velha.

Assim que alcançamos os dois, Justin ergueu um copo em minha direção, oferecendo a bebida.

Pensei em recusar, mas o olhar fulminante da Gina me fez aceitar, apenas para ser mais gentil, mesmo sabendo que não iria beber.

Crystal — Acho que já deu a minha hora. Vou embora.

Justin — Quer que eu te leve para casa?

Crystal — Não precisa. Eu pego um táxi.

Justin — Não, eu insisto. Vamos?

Crystal — Eu...

Mais uma vez, Gina me encarou e eu acabei cedendo.

Crystal — Tudo bem. Vamos.

Justin — Não vai tomar a sua bebida antes?

Ansiosa para sair dali, virei o conteúdo do copo de uma vez.

O gosto amargo fez minha garganta arder e me fez tossir um pouco.

Saímos da fraternidade e fomos direto para o estacionamento.

Justin abriu a porta do carro para mim, mas, quando tentei entrar, meu corpo começou a reagir de uma forma estranha.

De repente, senti uma tontura forte.

Minha visão ficou embaçada e precisei segurar no braço dele para não cair.

Crystal — Acho que tem alguma coisa errada comigo.

Falei, mas quase caí quando meus braços e pernas começaram a ficar fracos.

Eu já não conseguia mais me sustentar.

Senti suas mãos segurarem minha cintura e me firmarem no lugar.

Justin — Não, gatinha. Não tem nada de errado. Fica tranquila, eu vou cuidar de você.

Meus olhos começaram a pesar.

Por mais que eu tentasse mantê-los abertos, não conseguia.

Percebi quando Justin me colocou deitada no banco de trás do carro, mas meu corpo não respondia.

A bebida.

Só podia ter sido a bebida que ele me deu.

Justin me dopou?

Não.

Ele não faria isso.

Justin era amigo do Kellan. A Gina conhecia ele.

Eu devia estar apenas passando mal.

Era isso.

Eu precisava acreditar nisso.

Mas, antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa, a escuridão tomou conta de mim.

---

Quando abri os olhos novamente, percebi que não estava mais no carro.

Justin estava me carregando.

Eu não conseguia enxergar onde estávamos, mas sabia que não era minha casa.

Ele não tinha me levado para lá.

Crystal — Onde... para... onde... está me levando?

Perguntei ainda grogue.

Justin — Ah, não se preocupe. Nós só vamos nos divertir um pouco. Depois eu deixo você em casa.

O tom de voz dele não era mais gentil como antes.

Havia algo errado.

A maldade estava presente em cada palavra que saía de sua boca.

Crystal — Não... eu quero... casa... eu não...

Tentei me afastar quando ele me colocou no chão para destrancar a porta, mas minhas pernas não obedeceram.

Tropecei nos meus próprios pés e caí.

Tentei gritar por socorro, mas nenhuma palavra saiu da minha boca.

O desespero tomou conta de mim.

Justin realmente havia me dopado.

Ele tinha me levado para aquele lugar com a intenção de me machucar.

Um barulho alto, como algo caindo, chamou minha atenção.

Tentei olhar na direção da porta, onde Justin estava, mas meu corpo já não respondia.

Meus olhos começaram a se fechar novamente quando senti alguém levantar meu corpo e me carregar.

Seja quem fosse aquela pessoa, ela tinha um cheiro muito bom.

Um cheiro que me fazia sentir segura.

Alguém estava me ajudando.

Essa percepção veio rápida demais.

Crystal — Ca... casa...

Foi tudo que consegui dizer.

E, antes que a escuridão me tomasse completamente, ainda consegui ouvir uma voz grossa e rouca que parecia familiar.

Desconhecido — Não se preocupe, occhi di smeraldo. Eu vou cuidar de você...

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