Fiquei imóvel.
Não porque eu fosse comportada, madura ou dona de algum autocontrole admirável. Nada disso. Fiquei imóvel porque qualquer movimento podia entregar que eu estava acordada e, pior, que eu tinha percebido exatamente onde estava: enfiada no peito de Rafael Montenegro, com a mão dele na minha cintura e a minha perna quase em cima da dele, como se meu corpo tivesse assinado um contrato separado durante a madrugada.
Meu corpo era um traidor. Um traidor sem vergonha.
Tentei respirar de