Na manhã seguinte, Rafael não tocou no abajur. A mudança me chamou atenção justamente porque, nas duas noites anteriores, ele transformara qualquer fonte de luz em uma experiência improvisada. Quando acordei, encontrei-o sentado à pequena mesa do quarto, ouvindo mensagens da empresa com os fones em um dos ouvidos e a mão apoiada sobre uma xícara que já devia estar fria. As cortinas permaneciam fechadas, embora o dia tivesse amanhecido claro, e percebi que ele evitava a janela como se olhar naqu