Narrado por Antonella Bellini:
Eu não sabia que ser cuidada podia doer.
Não no corpo. No corpo a dor era outra. Era quente, latejante, áspera como o toque de um homem que nunca foi treinado para medir força, só para conquistar. Mas doía mais aqui dentro. No silêncio entre uma colherada de café que ele insistiu em me dar, como se eu fosse incapaz de erguer o próprio braço.
"Você precisa descansar, deitar... Eu cuido."
Foi o que ele disse, e eu quis gritar. Porque eu não queria que ele cuidasse.