Observei ela dar os primeiros passos no saguão. O jeito como os olhos dela rodaram pelo lustre, pelas paredes claras, pelos quadros, pela escada que se enrolava em curva. Tudo ali gritava dinheiro. E vazio. Eu sabia. Morava nisso todo dia.
— Sua casa parece uma galeria de arte — ela soltou, quase sem pensar.
— É. Parece mesmo. — Dei de ombros, mãos nos bolsos do moletom. — Mas ninguém mora de verdade aqui. Só eu.
Ela arqueou a sobrancelha, curiosa. E aí veio a pergunta inevitável.
— E seus pais