A sala estava silenciosa, exceto pelo som baixo da TV, que exibia um filme qualquer, daqueles que a gente já viu mil vezes, mas continua assistindo só pra preencher o vazio. Eu e Jenn dividíamos o sofá, com uma manta sobre nossas pernas e um travesseiro entre nós, como uma espécie de fronteira silenciosa. Não havia toque, nem palavras demais. Apenas presença.
Olhei de relance para ela. Jenn parecia tranquila, com os olhos fixos na tela, mas havia algo nos seus ombros que entregava o cansaço. Não era o tipo de cansaço físico, mas sim aquele que se instala quando o coração carrega coisas demais.Suspirei.Meus pensamentos ainda estavam embaralhados. Ever vinha e voltava na minha cabeça como um refrão de música que a gente não consegue esquecer. E ao mesmo tempo, havia Jenn ali, real, presente, confiável. Era impossível não comparar. Era impossível não se perder nisso tudo.— Você tá com sono? — ela perguntou de repente, sem tirar os olhos da TV.