A madrugada estava densa, abafada, como se o próprio ar soubesse que algo estava prestes a quebrar. As fogueiras da alcateia ardiam mais fracas que o habitual, e o uivo dos lobos parecia ter se recolhido para dentro da garganta de cada um.
Aurora não dormia. Estava encolhida num canto da cabana, tremendo, o corpo ainda sentindo o eco dos sonhos. Sonhos que mais pareciam lembranças... mas de outra vida. De outra pessoa.
Fogo. Gritos. Uma mulher vestida com roupas antigas, chorando diante de um b