ELE VIRÁ TE CONHECER

Os dias foram se passando e Elizabeth aos poucos foi se acostumando com a casa e com a companhia dos empregados, se tornando a dona da casa.

Liz cozinhava às vezes junto com Ana Paula, isso a distraía e a deixava feliz, fazia compras às vezes com Antônia, e aproveitava para conhecer mais um pouco o local que estava morando, e sempre com a companhia de Luiz o motorista fazendo assim serem os mais chegados a ela.

Juliana, que era a ajudante, se mantinha sempre afastada. Sempre observando e sempre se perguntando o que estava acontecendo ali. Não entendia o porquê uma garota tão nova estava morando sozinha em uma casa tão grande e confortável. O seu olhar era de julgamento e nunca trocava mais que três palavras com Liz.

Dez dias depois, Raul voltou a casa, com seu tom sério e postura fria.

- Boa noite Elizabeth, vejo que já está bem estabelecida aqui.

Liz, que estava distraída assistindo um filme, se assustou ao ouvir a voz de Raul.

- Senhor Raul! Que bom que está aqui! - disse levantando do sofá rapidamente e vindo em direção ao advogado

- Por que está tão feliz em me ver?

- Só estou feliz, esta casa é grande demais, me sinto sozinha.

- Eu trouxe um celular novo para você, sua mãe deve estar preocupada, já que está aqui a alguns dias sem falar com ela.

- Obrigada senhor Raul.

- Vamos jantar, já está servido.

- Claro! Vamos.

Os dois saíram da sala de vídeo e seguiram pelo longo corredor em silêncio. Parou no seu quarto para deixar a caixinha do celular e continuou a andar, Elizabeth o seguia com a cabeça baixa, Raul a fazia lembrar que não estava ali a passeio e que tinha obrigações a cumprir.

Ainda em silencio ela sentou para jantar ao lado de Raul. Finalmente teria alguém para compartilhar o jantar.

Quando Antônia apareceu para servi-los, Raul cochichou algo no ouvido da senhora que balançou a cabeça positivamente e voltou a servir. A atenção de Raul se voltou a Elizabeth, e olhando para ela serio disse sem rodeios.

- Hoje a meia noite, esteja acordada e use a venda que está em sua mesa de cabeceira. Ele virá te conhecer.

Elizabeth travou com o garfo na boca, seu coração disparou ao saber que teria seu primeiro encontro com o homem desconhecido.

Após o jantar voltou para a sala de vídeo, o filme passava à sua frente, mas ela nada viu, sua mente estava longe, criando hipóteses e situações, seu coração estava acelerado e suas mãos suavam.

No fim do filme, voltou para o seu quarto, ao passar pelo corredor, viu Antônia e Juliana arrumando o quarto principal. A porta que sempre estava trancada. Uma grande suíte muito bem organizada, as duas trocavam os lençóis, toalhas de banho e passavam aspirador no chão, as duas conversavam baixinho e Elizabeth não conseguia ouvir sobre o que falavam. Imaginou que seria ali que ele ficaria.

Entrou em seu quarto fechando a porta sem fazer barulho, seu coração ainda estava acelerado, e suas mãos ainda suavam, olhou no relógio, já eram onze horas e ela precisava se arrumar. Entrou no banheiro, retirando as roupas, ligou o chuveiro, tomou banho apressadamente, escovou os dentes, penteou os cabelos, colocou seu pijama.

Ainda faltava meia hora, o que fez a sua ansiedade atacar. Liz não sabia o que fazer, se esperava sentada, se levantava, se deitava… voltou ao banheiro, lavou o rosto novamente, na confiança que isso lhe acalmaria um pouco.

Pegou o novo celular que ainda estava na caixa e começou a configurar algumas coisas, quando observou que já estava na hora.

De banho tomado, cabelos lavados e ainda úmidos, soltos em ondas naturais que caíam sobre os ombros, Liz vestia um dos pijamas novos, seda cor de pérola, macia ao toque, que deslizava pela pele como um sussurro.

Seu quarto estava mergulhado em penumbra, as cortinas pesadas fechadas contra o mundo lá fora, como se protegessem aquele momento de qualquer intrusão. Nenhuma luz direta ousava entrar, apenas quatro abajures espalhados pelos cantos lançavam um brilho dourado e suave, suficiente para aquecer o ambiente sem revelar demais.

Sentada à beira da cama, respirou fundo antes de pegar a venda de veludo preto. Com movimentos calmos, quase ritualísticos, colocou-a sobre os olhos e amarrou o nó com cuidado.

No exato instante em que os dedos deixaram o tecido, três batidas suaves ecoaram na porta.

Era meia-noite em ponto.

Ela já sabia quem era.

Seu coração acelerou, martelando contra as costelas como um pássaro preso querendo voar. A venda cobria seus olhos por completo, o veludo macio pressionava levemente as pálpebras, lembrando-a do acordo que aceitara, não veria, não espiaria, não importava o quanto desejasse descobrir quem estava ali. Era parte do pacto, confiança cega, entrega total.

- Pode entrar - disse, com a voz baixa, firme apesar do nervosismo que tremia nas pontas das palavras.

A porta rangeu suavemente, abrindo-se com uma delicadeza quase reverente. Ouviu passos lentos e a porta se fechando, logo um perfume alcançou suas narinas, um perfume masculino, marcante, teve uma impressão de conhecer, mas riu de sua própria memória, não conhecia nenhum homem que poderia usar tal perfume.

Ele se movia como se tivesse medo de perturbar o equilíbrio frágil daquele momento, devagar, um passo de cada vez.

- Boa noite, Elizabeth - disse, parando a alguns passos dela. - Posso me sentar?

Liz assentiu, inclinando levemente a cabeça, ansiosa pela aproximação. O simples fato de ouvi-lo pronunciar seu nome inteiro Elizabeth, fez algo dentro dela se aquecer. Sentiu sua pele arrepiar, a voz parecia encantadora, grave, firme, controlada. Não parecia a voz de um homem velho e também não parecia a voz de um gay.

Ela riu sozinha lembrando de suas suposições. Ambas estavam erradas, seu contratante não era velho e nem gay como imaginava anteriormente.

- Pode sim.

O quarto pareceu encolher quando ele se aproximou. O ar mudou, tornou-se mais denso, carregado de expectativa. Liz o sentiu quando sentou na cama, o calor do corpo dele, a respiração próxima, ligeiramente trêmula, e então o leve roçar de seus dedos na bochecha dela, com uma ternura que a fez prender a respiração. Ainda no silêncio, ele deu um beijo em sua bochecha, um beijo afetuoso e calmo.

Quando ele a beijou, foi com delicadeza, como se estivesse pedindo permissão em cada gesto.

Entrelaçou os dedos aos dela, apertando-os com suavidade, e suspirou, um som profundo, como se tivesse estado segurando aquela respiração por muito tempo.

- Eu esperei muito por isso - confessou, a voz rouca de emoção. - Não imaginei que seria assim… mas estou feliz. Finalmente estou te conhecendo pessoalmente. Estava ansioso por este dia.

As palavras dele ecoaram dentro dela, provocando um arrepio que percorreu toda a espinha. Sem enxergar, cada sensação se amplificou, o timbre da voz, o calor da mão, o cheiro do perfume misturado ao seu próprio. Inclinou o rosto na direção dele, guiada apenas pela intuição e talvez por algo mais antigo que a razão.

- Eu também estava, fiz várias suposições de como você era e acho que estava errada em todas elas.

Ambos sorriram com as palavras nervosas da garota.

Ele acariciou novamente seu rosto, o polegar desenhando linhas suaves ao longo da maçã do rosto, da linha da mandíbula, como se estivesse memorizando cada curva, cada detalhe que os olhos dela não podiam ver. A proximidade fez o silêncio pesar, não de desconforto, mas de uma expectativa tão densa que parecia palpável.

- Eu não sei o seu nome… nem posso saber - murmurou ela, com a voz embargada. - Mas como posso te chamar?

Ele ficou em silêncio por um instante, como se escolhesse com cuidado a resposta certa, não apenas uma palavra, mas um significado.

- Apenas me chame de Mat.

- Seu nome? - perguntou, curiosa.

- Pseudônimo.

- Certo então… Mat.

Sorriram ao mesmo tempo, mesmo que ela não pudesse vê-lo. Estavam lado a lado, encostados na beira da cama, mas ele estava ansioso, não com pressa, mas com desejo contido, com uma necessidade silenciosa de estar mais perto. Soltou a mão dela, virou-a suavemente de frente para si. Encostou a testa na dela, partilhando o mesmo ar, sentindo o hálito mentolado dela roçar em sua pele, provocando pequenas cócegas que faziam seu coração bater mais rápido. A distância entre eles tornou-se insuportável e foi ele quem a dissolveu.

O beijo começou lento, hesitante, como uma pergunta. Mas logo ganhou urgência, transformando-se em resposta, em confissão. Para Liz, era o primeiro beijo e o mundo pareceu se resumir àquele toque. Tudo era novidade, a maciez dos lábios dele, o jeito como a língua a encontrava com curiosidade e respeito, o calor que subia do peito e se espalhava por todo o corpo. Ela começou a acompanhar seus movimentos, insegura no início, mas logo confiante, como se seus corpos já se conhecessem em outra vida.

As mãos dele a puxaram para mais perto, envolvendo-a com uma força suave, protetora como se quisesse guardá-la, mas também desejá-la plenamente. E Liz respondeu com a mesma intensidade, deixando-se levar pelas sensações que a venda amplificava, cada toque era mais vívido, cada suspiro, mais íntimo.

Ela quebrou o beijo, ofegante, buscando ar que ele parecia ter roubado de seus pulmões com cada carícia.

- Eu quero te sentir… posso?

Ele sorriu e ela sentiu o movimento nos lábios ainda próximos aos seus, leve e espontâneo, aliviado por não tê-la assustado com seu avanço.

- Sim. Pode.

As mãos de Elizabeth começaram a explorar o rosto dele com uma curiosidade terna. Passou os dedos com delicadeza por cada traço: as maçãs salientes, os lábios ainda úmidos do beijo, o nariz reto, as sobrancelhas densas, o maxilar quadrado. Subiu até os cabelos, medianos, macios, com leves ondas que escapavam ao controle. Desceu pelos ombros largos, pelo peito firme, pelo abdômen definido, tudo isso por cima da camisa, sem ousar ir além, mas sentindo cada contorno como quem lê um mapa proibido.

Ele fechou os olhos, deixando-se tocar, absorvendo o calor das mãos dela como se fosse água no deserto. Seu desejo crescia, mas não falava, apenas respirava mais fundo, segurando-se para não tomar mais do que ela oferecia.

Depois de alguns instantes, ele a puxou de volta para seus braços, como se não conseguisse ficar longe nem por um segundo.

Entre beijos suaves e sussurros quase inaudíveis, o tempo perdeu o sentido. Só existiam eles dois, o quarto escuro, e a certeza silenciosa de que aquela entrega, tão íntima, tão verdadeira, mudaria tudo.

Ele a acarinhou por horas que pareceram minutos, com paciência infinita, como se tivesse todo o tempo do mundo para conhecê-la. Depois, com infinito cuidado, deu-lhe um último beijo, breve, doce, quase uma bênção.

- Agora eu preciso ir… mas logo voltarei

Ele se levantou e beijou a sua testa, mais uma vez uma demonstração de carinho, saiu apressadamente do quarto e quando Liz percebeu, a porta já havia sido fechada.

Ela então retirou a venda de seus olhos e respirou fundo, só então percebeu que estava prendendo a respiração.

Passou a mão nos lençóis onde ele estava sentado, ainda estava quente ali.

O perfume dele estava no ar e todo o medo que ela tinha de início, começou a se dissipar.

Se deitou na cama olhando o teto, estava feliz, não sabia o porquê, mas se sentia feliz com o primeiro contato com o homem misterioso que a contratou para gerar um filho. E o quarto, agora vazio, continuou impregnado com o eco do que havia acontecido ali: não apenas desejo, mas algo que se assemelhava perigosamente ao amor.

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