A casa era afastada demais do mundo.
Madeira escura, janelas altas e grandes, uma fortaleza meio gótica perdida na mata, luz fraca. O tipo de lugar que parecia existir apenas para guardar segredos que não podiam circular à luz do dia. Anton estava parado diante do espelho do banheiro, o corpo inclinado para frente, uma das mãos apoiada na pia enquanto a outra passava um pano úmido pela boca.
Ainda havia sangue seco no canto dos lábios, ele cuspiu na pia e passou o pano com mais força, os olhos fixos no próprio reflexo. O rosto bonito estava marcado pelo soco que levara de Dante, um roxo escuro se espalhava pela lateral do maxilar, e o canto da boca estava inchado.
Anton sorriu.
Um sorriso lento.
Satisfeito.
— Valeu a pena — murmurou para si mesmo.
— Pelo jeito, sim.
A voz veio de trás, tranquila, curiosa.
Anton não se virou de imediato, apenas terminou de limpar o sangue e se endireitou devagar, encarando o espelho enquanto o outro homem surgia atrás dele.
Connan era alto, forte, cerc