Eu cheguei atrasado.
Não “atrasado de cinco minutos com desculpa plausível”. Atrasado no nível em que o elevador parecia me julgar e a recepcionista me olhou como se eu tivesse cometido um crime leve, mas ainda assim inconveniente.
Meu humor já estava no fundo do poço antes mesmo de eu pisar no escritório.
E, para piorar, eu ainda conseguia ouvir a voz dela na minha cabeça.
“Tente não ter outro infarto antes do almoço.”
Eu apertei a ponte do nariz.
— Isso não é normal — murmurei sozinho, e