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3 — O anúncio que não deveria existir

CAPÍTULO 3 — O anúncio que não deveria existir

"Emma Carter"

O mundo pareceu girar por um instante.

Eu pisquei, tentando processar o que estava acontecendo.

— Eu… desculpa — respondi baixo, minha voz fraca, cansada. — Eu não vi…

Ele bufou alto, impaciente.

— Claro que não viu. Está cega, por acaso? Quem anda assim em um corredor de hospital? — Ele limpava a mão com raiva, mas só espalhava mais café. — Meu Deus, isso aqui é inacreditável.

O nó na minha garganta apertou e tudo veio de uma vez, como uma avalanche impossível de conter. A demissão, a traição, a dor pela minha mãe. O valor absurdo do tratamento.

E agora… aquilo.

— Eu sinto muito… — repeti, a voz trêmula de quem estava a segundos de chorar.

O olhar dele não suavizou.

Não havia espaço para empatia naquele rosto.

— Da próxima vez, tente não destruir o café dos outros — ele resmungou. — Algumas pessoas têm um dia para continuar, sabe?

Eu quase ri... um riso amargo, desesperado. Se ele soubesse do meu dia…

Mas não disse nada. Não havia mais forças dentro de mim. Fiquei ali, imóvel, enquanto ele pegava a pasta e se afastava sem olhar para trás, deixando apenas o cheiro de café queimado e a sensação amarga de ter sido esmagada mais uma vez.

A manhã seguinte chegou como um soco no estômago. Passei a noite quase sem dormir, com o rosto inchado de tanto chorar e a mente presa à lembrança daquele olhar frio. Cada vez que fechava os olhos, tudo voltava — o hospital, o corredor, a humilhação, a certeza cruel de que eu estava sozinha no mundo, mas eu não podia parar.

O tratamento da minha mãe custava cem mil dólares por mês. Um valor impossível, uma sentença silenciosa.

Troquei de roupa com movimentos lentos. Prendi o cabelo de qualquer jeito. Passei corretivo para esconder o estrago da noite mal dormida e respirei fundo antes de sair de casa.

O dia seria longo. Comecei pelas cafeterias, entrei em cinco delas, uma depois da outra.

— No momento não estamos contratando.

— Já temos equipe completa.

— Volte no próximo mês.

Sorri para cada recusa, mas por dentro eu afundava mais um pouco.

Depois vieram os restaurantes, bares, lanchonetes e confeitarias.

— Você tem experiência suficiente?

— O horário não b**e.

— O salário é baixo demais.

— Precisamos de alguém com indicação.

Meu telefone permanecia mudo. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação, nenhuma esperança.

Por volta do meio-dia, minhas pernas já doíam. O sol parecia zombar de mim, quente e impiedoso. Sentei em um banco perto de um ponto de ônibus e escondi o rosto entre as mãos.

Eu não sabia como pagaria o aluguel, não sabia como compraria remédios, não sabia como salvar minha mãe. As pessoas passavam apressadas. Ninguém via, parava ou notava a garota tentando segurar um mundo que insistia em cair. Respirei fundo, levantei e continuei. Porque desistir não era uma opção.

Entrei em mais lojas, mais mercados e mais lugares aleatórios.

— Só contrato com ensino superior.

— Precisa de carro.

— Não temos vagas.

Cada resposta era como um empurrão para o fundo do poço. Quando o relógio marcou quatro da tarde, eu estava exausta. O cansaço físico se misturava ao emocional, criando um vazio profundo. Parei em frente a um mural de empregos numa farmácia. Papéis amassados, anúncios antigos, promessas vazias.

Li um por um.

“Vaga para atendente — preenchida.”

“Procura-se ajudante — temporário.”

“Procura-se diarista — salário irrisório.”

Foi ali que algo em mim simplesmente cedeu e voltei para casa derrotada. Entrei no pequeno apartamento e fechei a porta atrás de mim com cuidado, como se até o barulho pudesse me quebrar. Joguei a bolsa no sofá, sentei na beira da cama e encarei a parede por longos minutos, sentindo o peso do fracasso esmagar meus ombros.

Deitei sem nem tirar a roupa. O teto parecia me observar. As lágrimas vieram silenciosas, uma atrás da outra, molhando o travesseiro. Talvez fosse isso, talvez eu não conseguisse, talvez minha mãe estivesse contando comigo para algo impossível.

Foi então que meu celular vibrou. Outra vez um

número desconhecido.

Meu coração afundou... e por um segundo, pensei em ignorar, podia ser o James de novo com mais desculpas esfarrapadas.

Segurei o aparelho com força, mas eu estava procurando emprego e precisava atender.

— Alô? — falei, a voz baixa.

— Boa tarde, falo com Emma Carter? — perguntou uma voz feminina.

— Sim… sou eu.

— Aqui é da agência de empregos onde você deixou seu currículo hoje mais cedo. Surgiu uma vaga que talvez te interesse.

Meu corpo inteiro ficou tenso.

— Que vaga? — perguntei, quase sem respirar.

— Babá. Residência particular. A família exige entrevista presencial.

Babá.

Não era o que eu imaginava para minha vida.

Mas era trabalho. E eu precisava desesperadamente.

— Qual é o salário? — arrisquei.

Houve uma breve pausa.

— Bem acima da média.

Meu coração disparou.

— Eu aceito — respondi sem pensar.

Ela passou o endereço e disse que a entrevista seria ainda naquele dia. Desliguei com as mãos trêmulas, peguei minha bolsa e saí.

Peguei um ônibus que me levou para uma região completamente diferente da minha. Conforme avançávamos, as casas ficavam maiores, os portões mais altos, os jardins mais verdes. Eu me sentia cada vez menor. Logo desci e caminhei alguns minutos até parar diante de um portão imponente.

Uma mansão. Engoli em seco.

Toquei a campainha. A porta se abriu, revelando uma mulher de meia idade, olhar acolhedor e sorriso gentil.

— Você deve ser Emma — disse ela. — Sou Margot Campbell, a governanta.

A forma como ela falou comigo trouxe um conforto inesperado.

— Entre, querida. Vou levá-la até o escritório.

Segui Margot por corredores elegantes, com o coração batendo forte demais. Paramos diante de uma porta dupla.

— O senhor Thompson está esperando — disse ela, suavemente. — Boa sorte.

Entrei.

O homem atrás da mesa levantou o rosto.

E eu congelei.

Ele me encarou longamente, como se estivesse analisando um problema.

Então disse, seco:

— Você só pode estar brincando comigo.

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