DANTE VELASQUEZ
Luna estava sentada à minha direita, empurrando ervilhas pelo prato com dedicação. Ela não me olhava. A distância entre nós tinha diminuído minimamente graças à gravata, mas ainda éramos dois estranhos dividindo o mesmo DNA e o mesmo teto.
Tomei um gole de vinho, sentindo o sabor amadeirado descer pela garganta, mas não aliviar o tédio e a frustração que permeavam minhas noites.
— Luna, coma os legumes — instruí, tentando soar paternal, mas saindo apenas autoritário.
Ela suspirou, um som quase inaudível, e levou uma ervilha à boca como se fosse veneno.
Foi então que a porta da frente se abriu.
Ariel.
Luna rapidamente largou o garfo. Os olhos dela, antes opacos, acenderam-se como duas lâmpadas. Ela escorregou da cadeira alta, ignorando completamente o jantar e a etiqueta, e correu em direção à entrada da sala.
Senti uma pontada de irritação. Eu estava ali há uma hora tentando arrancar um sorriso dela. Ariel chega, respira, e ganha a devoção total da minha