HENRICO VIGNETO
Eu já tinha visto muitas coisas nascerem. Negócios, alianças, guerras. E já tinha visto muitas coisas morrerem.
Mas ver aquela menina sair do ventre de Ariel, coberta de sangue e vida, gritando sua existência para o mundo, reescreveu meu código genético.
No momento em que o médico a ergueu, o fato de que ela tinha o sangue de Dante Velasquez correndo nas veias tornou-se irrelevante. A biologia era um mero detalhe. A realidade era aquela sala, aquele cheiro, aquele esforço, e a mão de Ariel na minha.
Eu tinha ajudado a trazê-la ao mundo. Eu tinha visto o primeiro fôlego dela.
Ela era minha.
A volta para casa aconteceu dois dias depois.
Ariel estava no banco de trás, com Vittoria na cadeirinha ao lado. Ela parecia exausta, pálida, mas havia uma luz nela que ofuscava o sol da Toscana.
Quando o carro parou no cascalho da Villa Vigneto, Matilde e Dona Marly estavam na porta, vibrando de ansiedade.
Saí do carro e fui imediatamente para o banco de trás.
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