A biblioteca estava tão silenciosa que parecia que até os livros seguravam o ar, esperando o desfecho.
Rafaela entrou primeiro, devagar, como se pisasse num território que podia desmoronar a qualquer momento.
Leonardo veio atrás, firme, mas com aquela tensão no olhar que só eu sabia reconhecer.
E eu… eu estava prestes a desabar.
— Espera um segundo — murmurei. — Eu… preciso pegar uma coisa.
Saí quase correndo. Subi as escadas com o coração batendo no ritmo de alguém prestes a confessar um crime.
Peguei a carta na gaveta, o envelope que virou minha vida pelo avesso, e voltei para a biblioteca tentando não tremer tanto.
Os dois me esperavam como juízes antes da sentença.
Me sentei na poltrona.
Leonardo se apoiou no braço dela, perto demais, quente demais, acolhedor demais.
Ele segurou minha mão, apertando devagar. Um gesto simples, mas que dizia: eu tô aqui.
Respirei fundo, buscando coragem no fundo da alma.
— Rafaela… você sabe que eu vivi no orfanato desde criança. Minh