Mundo de ficçãoIniciar sessão( POV/ SKY))
Fiquei ali, sentada no banco, assistindo ao espetáculo. Ele atravessou o salão e serviu os homens e jogou a cabeça para trás ao rir de alguma piada. Ele era bonito demais para aquele lugar. Devia custar uma fortuna.
— O que eu faço, Alex? — sussurrei— Eu nunca contratei ninguém. Como se pergunta o preço de um ser humano?
— O preço? — Alex deu de ombros, terminando o drink. — Uai, chega e pergunta. É uma transação, Sky. Igual comprar um revestimento para um prédio, só que esse aí é mármore importado.
Cocei a cabeça, confusa. Eu não sabia por onde começar. Meu corpo precisava ficar totalmente dormente para eu ter coragem de abrir a boca. Olhei para o bartender.
— Desce mais dois shots — pedi, a voz saindo um pouco mais alta para competir com a gritaria do jogo.
— Dois? De uma vez? — Alex arqueou a sobrancelha.
— Eu nunca fiz isso na vida, Alex. Se eu não apagar meus sentidos, não vou conseguir nem dizer "oi", quem dirá perguntar o valor da hora dele.
— Justo — Alex concordou, pedindo dois para ele também.
O bartender deslizou os copinhos. Virei de uma vez. O líquido desceu queimando tudo, limpando o rastro do vinho e instalando um calor perigoso no meu peito. Alex fez o mesmo, batendo o copo na madeira com um estalo.
Meu celular vibrou no balcão. Uma mensagem da Moon: "Já estou voltando com as roupas. Aguenta aí!".
Nesse exato momento, uma explosão de gritos ecoou da mesa dos playboys. O Internacional tinha acabado de vencer por 5 a 3 nos pênaltis. O salão virou um caos de comemoração, mas, no meio de toda aquela euforia, meus olhos procuraram apenas uma coisa: o "acabamento de luxo".
Pelo semblante de poucos amigos, ele era gremista. Alguns caras deram empurrões comemorativos nele, bagunçando seu cabelo, e um deles cochichou algo em seu ouvido antes de gritar:
— Agora vai lá buscar mais drinks para nós!
Outro deu um tapa estalado na bunda dele, empurrando-o em direção ao bar.
Eu, que não sentia vontade de nada há meses, senti uma pontada de inveja.
Era agora. Coragem líquida, não me deixe falhar.
— Bom, minha missão aqui acabou — Alex disse, guardando o celular e me dando um beijo na bochecha. — A Moon já está chegando, e eu preciso sumir para não atrapalhar seu lance.
— Você vai me deixar sozinha? — arregalei os olhos, sentindo o pânico e a Vodka lutarem no meu estômago.
— Respira, amiga. Foco. Oferece o dinheiro, pergunta o preço e lembra: é hoje! — Ele me deu uma piscadela encorajadora e sumiu na direção do banheiro, onde uma horda de torcedores comemorava jogando cerveja para o alto.
Fiquei sozinha. Meus dedos começaram a tremer. Eu nunca tinha olhado para um homem daquele jeito, nunca tinha desejado um estranho, e agora estava ali, vestida de noiva cadáver, prestes a tentar contratar o homem mais impressionante que já vi para um "serviço doméstico" bem específico.
Minha boca secou. O efeito dos shots estava batendo forte, mas a vergonha ainda lutava para me calar. Ele colocou a bandeja no balcão e olhou para o bartender, mas senti o olhar dele desviar para mim por um milésimo de segundo antes de voltar a atenção para as bebidas.
Era agora ou nunca. Respirei fundo e contei: 1, 2 e 3.
— Eeiiii! — chamei. Minha voz saiu arrastada, as vogais esticando como chiclete.
Ele não me ouviu, ou fingiu que não ouviu.
— Ei, gigo... gigolô! Tô falando com você! — insisti, batendo o gargalo da garrafa na madeira do balcão. Toc-toc-toc.
Ele virou o rosto devagar. Aquele olhar me atravessou, me mapeando de cima a baixo. Caminhei na direção dele pulando de banquinho em banquinho, apesar do chão começar a parecer que estava em ondas.
— Veio vestida para matar? — ele perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— Ezata... exatamente — respondi, tentando focar naqueles olhos que giravam mais que o vinho no meu estômago. — Mas você podia... poderia me perguntar se eu não quero tirar, né? O vestido. Não a vida.
— O quê? — Ele soltou uma gargalhada curta e gostosa. — Não entendi o que você falou.
Ele deu um sorriso de lado. Um sorriso predatório. Com certeza ele fazia as idosas de Porto Alegre se curvarem. Olhei para a mesa de playboys de onde ele veio e depois para ele, tentando processar se ele atendia só "clientes VIP".
Pulei outro banquinho, tropeçando nos próprios pés, e parei bem na frente dele. Ele era muito mais alto; precisei inclinar a cabeça para trás.
— Você é... você é gay?
Ele riu, tentando disfarçar a surpresa com a minha falta de filtro. Eu bufei, ofendida.
— Ok, perdi meu tempo. Achei que era um profissional eclético. — Virei e comecei a me afastar.
— Eu não sou gay — ele respondeu rápido.
Parei no meio do caminho e girei nos calcanhares, quase caindo de novo.
— Quanto você cobra? — Fui direto ao ponto, sem filtro nenhum. — O que que... o que inclui no serviço completo? Tem pacote promocional?
— Peraí. Acho que você está me confundindo com outra pessoa. — Ele coçou a cabeça, sem jeito, olhando para os lados.
Me aproximei mais, sentindo o álcool fazer meu cérebro flutuar. O cheiro dele era uma covardia amadeirada.
— Eu quero você. Para fazer tudo o que eu tenho direito. Todas as coisas que as mulheres dizem que os homens fazem, sabe? — Diminuí o tom de voz, chegando perto do ouvido dele. — Inclusive aquele negócio... com a língua... lá embaixo apontei para minha virilha.
Ele soltou um riso sem graça. Que prostituto mais estranho.
— Você está bem alterada — ele disse, analisando meu rosto borrado com uma mistura de diversão e preocupação. — Talvez precise de uma água, não de um "serviço completo".
— Eu não quero a porra da água! — O ódio pelo Victor borbulhou junto com o vinho. Empurrei o peito dele contra o balcão. Minhas mãos espalmaram nos músculos rígidos daquela camiseta cavada. — Eu tenho o dinheiro. Sete mil. Dá ou não dá?
Apontei o dedo trêmulo, percorrendo o rosto dele, descendo pelo pescoço, passando pelo peito até chegar na direção da calça dele, onde o volume denunciava que, apesar da timidez, ele era bem homem.
— Você está louca — ele rosnou, mas não se afastou nem um milímetro. A eletricidade entre nós daria para iluminar o Beira-Rio.
— Eu acabei de fugir do meu casamento — minha voz saiu arrastada, o choro querendo voltar e se misturar com a risada. — Meu noivo estava me traindo com a minha melhor amiga.
Ele abriu a boca para dizer algo, mas coloquei o indicador nos lábios dele, pedindo silêncio.
— Shhhiii... só quero esquecer. Me ajuda — provoquei, com um riso bêbado que eu achava que era sexy, mas provavelmente era apenas estranho.
Ele segurou meu dedo com força, afastando minha mão com firmeza.
— Você está me confundindo, eu não sou isso que você está pensando.
— Ah, é o quê então? Só atende mulheres mais velhas? Ou talvez homens? — debochei, me sentindo a rainha do bar. — Você está fantasiado de quê, aliás?
Ele riu de novo. Que sorriso. Quando ele sorria, formava uma covinha ao lado da bochecha que era quase um insulto de tão charmosa.
— Você é bem... — estalei os dedos, tentando achar a palavra no meio da névoa — bem mais bonito que meu ex.
Ele soltou uma gargalhada alta, jogando a cabeça para trás. O som era másculo, preenchendo o espaço entre nós.
— Qual o seu nome, Noiva Cadáver?
— Meu nome é Céu — sussurrei, meus olhos fixos na boca dele, ignorando o resto do mundo.
— Engraçado... eu passei a vida inteira tentando alcançar o céu — ele sussurrou no meu ouvido, me fazendo arrepiar até o último fio de cabelo —, mas nunca imaginei que o Céu viria até mim vestido de noiva morta e toda pichada.
— E você? Qual o seu valor? — perguntei de novo, cambaleando levemente e me apoiando no peito dele.
— Geralmente eu não cobro nada, Céu. Principalmente para mulheres misteriosas com o cabelo cor de fogo — ele sorriu, os olhos verdes brilhando sob o neon.
— Se você sorrir de novo, eu vou é... e... — respirei fundo, focando no alvo — beijar você.
E ele gargalhou, achando graça da situação. Sem pensar, me coloquei na ponta dos pés, enterrei minhas mãos nos seus cabelos escuros e macios, e o puxei para baixo com toda a minha força bêbada.
Eu o beijei.
No começo, ele tentou me afastar. Senti as mãos dele nos meus ombros, firmes. Mas eu grudei no pescoço dele, forçando meus lábios contra os dele com uma fome desesperada. Eu queria apagar o Victor. Queria sentir o perigo. Enfiei a língua na boca dele e senti o gosto de cerveja. Ele bebe durante o expediente? Nada profissional, pensei por meio segundo.
De repente, ele soltou um rosnado animal contra a minha boca e desistiu de lutar. As mãos dele desceram para a minha cintura, me apertando com tanta força que soltei um gemido abafado contra seus lábios. A língua dele invadiu a minha boca de volta com uma possessividade que me fez perder o chão.
Não era nada parecido com os selinhos sem graça e "respeitosos" do Victor. Era bruto, faminto. Eu percebi, com um choque de realidade, que beijar na boca era muito bom. Eu não fazia ideia.
— Caramba... — deixei escapar quando nos separamos por um segundo, limpando a boca com o dorso da mão. — Isso é muito bom. Quero fazer de novo.
— O quê?... — ele tentou perguntar, atordoado, mas eu grudei na boca dele de novo.
Enfiei minhas mãos no cabelo dele, puxando-o para mais perto, e enfiei a língua na sua boca novamente sem pedir licença. Não sabia se estava fazendo certo, mas o gosto dele era viciante. Minhas pernas fraquejaram. Eu as pressionei uma contra a outra, sentindo o calor subir pelas minhas coxas. Era a primeira vez que eu beijava por tanto tempo sem querer fugir, apenas sentindo o calor que subia pelo meu corpo não sabia se era pelo vinho ou pelo tesão.
Quando finalmente nos separamos, eu estava ofegante, o coração batendo na garganta. Olhei para ele, chocada com a própria audácia. Ele arqueou uma sobrancelha, um brilho predatório surgindo naquelas esmeraldas que ele tinha no lugar dos olhos.
— Eu pago — ordenei, tentando recuperar a autoridade, mesmo com as pernas tremendo como gelatina. — Vamos sair daqui agora. Eu pago. E não quero saber seu nome. É algo de uma noite só, ok? Sem nomes. Só sexo.
— Você é doida — ele sussurrou, limpando o rastro do meu batom e da saliva do canto da boca com o polegar. Ele deu um sorriso de lado, perigoso. — Eu sempre quis conhecer o Céu, mas você tem certeza?
— Eu sou... auto... auto-suficiente — me enrolei na palavra, mas mantive o olhar firme, ou o mais firme que uma bêbada virgem consegue. — E nunca tive tanta certeza como tenho do que quero fazer com você.







