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CAP. 7/8 - O PREÇO DA PERFEIÇÃO- O NOVO IMPERADOR

POV: ROCCO BLACKWOOD

A porta da antessala finalmente rangeu, e a equipe da Lacerda Enterprise desfilou para fora. Eles tinham aquela cara de quem levou um soco no estômago, mas, assim que bateram o olho na gente, forçaram um sorriso de deboche que não enganaria nem uma criança.

O líder deles, o Sérgio Lacerda, era a personificação da mediocridade: um sujeito redondo, sempre suado, que ajeitava a pasta sob o braço como se estivesse escondendo um tesouro. A Lacerda era uma piada de mau gosto que deu certo. Meu avô, num desses raros momentos de bobeira em que a idade pesou, resolveu validar a tecnologia de IA deles anos atrás. O resultado? Enriqueceram vendendo arquitetura de prateleira, algoritmos baratos que entregam prédios sem alma para quem não sabe a diferença entre um pilar e um poste. O problema nem era a tecnologia, era a falta de talento; parecia que nenhum deles sabia segurar um compasso sem se furar.

— Ah, vejam só... os vendedores de algoritmos estão sendo devolvidos para a natureza — comentei, sem descruzar os braços, enquanto o gordinho passava por nós exalando um perfume barato misturado com suor de ansiedade.

— Não ache que a vida é fácil assim, Blackwood — Lacerda murmurou, parando por um segundo. — Nós não fomos os escolhidos hoje, mas o jogo é longo.

Soltei uma risada curta, o tipo de som que eu guardava para piadas realmente ruins.

— O seu problema, Lacerda, é achar que está j**ando. A Blackwood não j**a; a gente domina. Da próxima vez, tenta contratar engenheiros que entendam de cálculos e revestimento, não só de código.

Ele saiu bufando. Nathan e Diego, que estavam logo atrás de mim, trocaram olhares enquanto seguravam o riso.

— Ele está confiante demais — Nathan sussurrou, passando a mão nos cachos loiros. — Ouvi dizer que eles estão participando do nosso concurso Blackwood Horizon.

— Que tentem — respondi, sem dar importância. — De sem alma, já basta os projetos dele. Mas agora, foco. Eu não vim aqui para perder tempo com amadores enquanto o Prefeito decide o nosso futuro.

— Eu serei o escolhido — Nathan disparou, estufando o peito. — O Prefeito amou a minha proposta da praça.

— Se ele tiver um pingo de bom gosto, escolhe o meu projeto — rebati, olhando para o teto da prefeitura que precisava urgentemente de uma reforma. — O seu parece uma decoração de bolo de casamento e aquela estátua, nem tenho comentários suficientes.

— Vamos apostar, Rocco? — Nathan se inclinou, o olhar castanho desafiador. — Se o Prefeito escolher o seu projeto moderninho, eu pago o jantar e viro seu estagiário por um mês. Compro até seu café.

— Parem com isso e ajam como adultos, por favor — Diego resmungou, sem desviar os olhos azuis da tela.

— E se ele escolher o seu erro em forma de praça? — perguntei, ignorando o sermão do "baixinho".

— Aí você paga a conta da noite — Diego interveio, finalmente guardando o celular e cruzando os braços. — E vira o nosso garçom oficial. Sem sobrenome Blackwood para te salvar, sem arrogância. Só você, uma bandeja e um pano no ombro, servindo cada drink e aguentando nossos caprichos.

— Não era para sermos maduros — questionei a ele.

— Mas é que se o Nathan ganhar, todos nós ganhamos.

Encarei o traidor de olhos azuis por um segundo. O pensamento de ver a cara de derrota do Nathan era tentador demais.

— Fechado. Porque eu não perco para praças com estátuas douradas.

A secretária finalmente abriu a porta. Sentei-me na cadeira de couro da prefeitura e comecei a bater minha caneta Montblanc na mesa, acompanhando o ritmo da minha paciência que estava acabando. Porto Alegre estava um forno, e o ar-condicionado daquela sala não dava conta de nada.

O Prefeito pigarreou, secando a testa com um lenço encardido.

— Ora, senhores, é um prazer receber a Blackwood. Hoje o dia está uma loucura, meu sobrinho se casa em algumas horas e eu não posso me atrasar, mas fiz questão de recebê-los. Temos uma verba para lançar e eu precisava decidir qual dos dois projetos da firma nós vamos usar antes de eu sair para a cerimônia.

— Certo, Prefeito... Mas, sinceramente? Qualquer firma pequena pegaria esse projetinho. Não precisava ser a Blackwood — disparei, direto ao ponto.

Nathan e Diego reviraram os olhos para mim, e o Prefeito apenas coçou a garganta, sem jeito.

— Mas, já que estamos aqui, olhe para este telão.

Abri o meu projeto: uma obra-prima de concreto que deixava a luz passar, linhas modernas que respeitavam a margem do rio e que gerava a própria energia. Seria um parquinho para as crianças e um museu da nossa cidade ao céu aberto. Seria lindo, o ápice da engenharia.

Em seguida, Nathan levantou-se e mostrou o dele: uma praça circular comum, com uma estátua dele dourada de cinco metros bem no centro, alguns brinquedos e grama sintética. Um monumento cafona.

O Prefeito levantou-se com os olhos brilhando, apontando para o telão.

— É isso! Magnitude! Ouro! Uma estátua que as pessoas vejam de longe e saibam quem construiu! O projeto oficial será o seu, Nathan Alvez! Parabéns. Agora, com licença, preciso correr para o casamento.

O mundo pareceu parar. Senti o sangue subir para o rosto enquanto Nathan e Diego comemoravam em silêncio, vitoriosos.

— O senhor só pode estar brincando, Prefeito... — murmurei, sem acreditar. — O senhor trocou tecnologia de ponta por... uma estátua de bronze? Isso é um crime contra o bom gosto!

O Prefeito apenas deu um tapinha condescendente no meu ombro um gesto que quase me fez perder o réu primário e saiu da sala apressado. Nathan, por outro lado, explodiu em uma gargalhada que ecoou pelas paredes de mármore da prefeitura.

— Perdeu, engomadinho! — Diego também tripudiou, ajeitando os óculos com um prazer sádico. — O Gre-Nal é hoje, a verba saiu e a nossa comemoração começa em duas horas. Aonde vamos? Espero que seja um lugar com bebidas bem caras para o nosso garçom oficial servir com elegância.

Alguns minutos depois enquanto saíamos do prédio, peguei meu celular e senti o aparelho vibrar. O idiota do Diego já tinha espalhado no grupo da empresa que a Blackwood levou a licitação e convidou todos do setor de projetos para assistir ao jogo, beber e comer por minha conta.

Entre as notificações, vi uma do Ravi, meu irmão caçula: "Vi no grupo que a firma levou a licitação. Onde vai ser a resenha? Quero ir!".

Respondi: "Estude para a prova de cálculo, Ravi. Se depender de mim, você nunca vai entrar aonde eu vou hoje." Bloqueei a tela e encarei os dois vitoriosos. Fechei meu paletó deixando alguns botões abertos, sentindo raiva queimar no peito e uma vontade de enforcá-los com minha gravata.

— Querem um lugar para comemorar? Já que eu vou pagar e servir, eu escolho o cenário. Conheço um refúgio muito específico no Quarto Distrito.

— Quarto Distrito? — Diego franziu o cenho. — Pensei que iríamos para algum rooftop chique. Algo que combine com a nossa nova estátua dourada.

— Não. Vou mandar a localização em uma hora. Tratem de se arrumar — dei um sorriso de lado, já imaginando a cara de tacho deles. — Eu vou ser o melhor garçom que aquele lugar já viu, só para provar que, mesmo servindo cerveja para dois ou mais idiotas, eu ainda sou o melhor engenheiro dessa cidade.

Entrei no carro e mandei uma mensagem para o Arthur, o dono de um estabelecimento bem específico. Ele me devia favores da época do colegial. Naqueles anos, quando a pressão da família ficava insuportável, ninguém pensaria em me procurar em um bordel masculino. Era meu refúgio. Hoje, seria o palco da minha vingança.

Uma hora depois, após tomar uma ducha e responder alguns e-mails, estacionei meu carro em frente à boate e fiquei encostado no capô, observando a frota de importados me seguir. Nathan e Diego desceram como se estivessem entrando em zona de guerra, seguidos por vinte pessoas do meu setor de Desenvolvimento de Projetos.

Era uma comitiva curiosa de se ver ali: meus melhores calculistas, arquitetos e designers de interiores, todos amontoados no asfalto rachado do Quarto Distrito. Gente que passa o dia decidindo entre mármore importado e tecnologia de automação, agora parecendo totalmente perdida fora de seus escritórios com ar-condicionado.

— O que é esse lugar, Rocco? — Nathan olhou para as rachaduras no chão, ajustando o paletó de três mil dólares. — O que tem aqui? Um clube de luta?

— Talvez um restaurante que serve pratos afrodisíacos? — Diego arriscou, nervoso. — Achei que você levaria a gente no Ambrosia Club... no seu clube de BDSM, para a gente ver onde os "deuses se alimentam" e quem sabe ganhar umas rodadas grátis para chicotear alguém.

Olhei para a fachada barata e sorri internamente. A ironia era deliciosa. Eles não entendiam que o Ambrosia Club — o meu santuário de BDSM e prazeres eróticos, onde mulheres são os pratos principais, sobremesas e a única atração que importa — está em um patamar que a mente limitada deles jamais alcançaria. Conquistei aquele lugar com um xeque-mate de mestre: há três anos, troquei o projeto milionário da "Cidade do Futuro" que desenhei para os árabes pela escritura daquele império.

Na época em que pertencia ao Adrian Cavallieri, o foco era o consumo e a degustação rápida. Mas quando voltei definitivamente ao Brasil aos vinte e três anos, após concluir Harvard, eu transformei o local. Eu não queria um bordel de luxo comum; eu queria um sistema de posse. No Ambrosia, a elite do país não vem apenas para transar; eles vêm para exercer o domínio total sob o resguardo do anonimato absoluto.

Aprendi novas técnicas frequentando clubes de dominação ao redor do mundo, então, quando assumi, introduzi o Contrato de Degustação e o Termo de Consentimento de Paladar. Agora, ninguém apenas "entra e usa". Meus clientes tornam-se Doms vinculados a submissas exclusivas, "Reservas Particulares", onde eles fazem o que querem com o corpo e a mente delas, em troca de um bom dinheiro, e esse relacionamento de posse muitas vezes se estende para além das paredes da boate.

Lá, tudo funciona sob a fachada de uma Importadora de Vinhos Raros & Gastronomia Exótica. Seguimos o lema: "Onde os Deuses vêm se alimentar". No Ambrosia Club, não vendemos só sexo. Vendemos experiências gastronômicas sensoriais, psicológicas e físicas para paladares muito específicos.

Começa no salão principal, onde oferecemos o Couvert Artístico. É a nossa degustação estética: dança, pole dance, shibari suspenso. Ninguém toca em ninguém. Os clientes observam, admiram a “comida”, avaliam textura, cor, provocação… mas a colheita não acontece ali. É apenas a apresentação do prato. É onde pessoas poderosas vão relaxar e tratar de negócios duvidosos. O clube é um lugar onde as pessoas podiam mostrar suas verdadeiras faces e gostos secretos.

Alguns clientes, os Veganos, pagam fortunas justamente para ficar nesse território do olhar. Eles não consomem carne. Buscam voyeurismo, toque superficial, detalhes sensoriais sem penetração. Já os Carnívoros vêm famintos. Procuram carne, suor, corpo. Querem saciedade imediata. Para eles, oferecemos o Prato Principal em suítes privadas equipadas para servir o prazer no ponto exato. Aqui, o cliente escolhe o nível de cozimento da sua experiência:

O "Ao Ponto" é a escolha clássica, a Girlfriend Experience. É a ilusão da intimidade para homens casados e solitários. O "alimento" não oferece apenas o corpo; ela oferece o teatro do afeto. Sexo servido morno e tradicional.

Já o "Mal-passado" é para quem tem fome de violência controlada. É o prato bruto. Aqui, a etiqueta fica na porta. É para o cliente que busca o lado primitivo: puxões de cabelo, marcas de dedos na pele, palmadas estaladas e a fricção intensa de carne contra carne. É o sexo sujo, cru e instintivo.

E, por fim, temos o "Com Pimenta". É quente, rápido e específico. É para o homem que não tem tempo para o teatro. Ele quer a explosão imediata. É a foda rápida contra a parede. Uma injeção de adrenalina pura.

Mas existe um terceiro paladar. Os Sommeliers, apreciadores do BDSM refinado. Para eles, reservei o Subsolo. Lá, servimos o cardápio completo da depravação humana. Jogos sensoriais, psicológicos, controle absoluto. O orgasmo era apenas um detalhe.

No Ambrosia, tudo é um cardápio metafórico. E para que funcione, existem três regras inquebráveis: o anonimato é sagrado (máscaras com modulador de voz), codinomes obrigatórios e o contrato de confidencialidade o que acontece aqui, morre aqui.

O meu vício por aquele lugar começou cedo, por causa de uma garota que conheci exatamente aqui, no Erotic’s Boys.

— Que porra é essa, Rocco? — Nathan gaguejou para a fachada onde um cowboy de couro fazia pose. — Um bordel masculino? Você ficou maluco? Temos uma imagem a zelar!

Eles não sabiam, mas o Erotic's Boy foi o meu refúgio muito antes de Harvard. Aos dezesseis anos, a minha vida implodiu com a morte dos meus pais; meu irmão, Ravi, ficou quebrado fisicamente e eu fiquei quebrado por dentro, sob a guarda de um avô que via em mim apenas um sucessor, nunca um neto. A pressão era esmagadora. Eu precisava sumir.

Vinha para cá porque o Arthur, o filho do dono, era meu único amigo de verdade. Estudamos juntos no colegial e, enquanto os outros garotos faziam da vida dele um inferno, eu era o único que usava os punhos para protegê-lo. Em troca, ele me deu o direito de ser ninguém. Eu passava noites aqui, sentado em mesas de canto, jogando pôquer ou apenas observando o teto descascado. Ninguém nunca procuraria um Blackwood em um bordel masculino do Quarto Distrito.

Foi nesse cenário de luzes baratas e cheiro de testosterona que eu conheci a Isadora Ferreira. Naquela época, ela era apenas uma garota descontraída que dividia seu tempo entre a faculdade e o balcão da boate para pagar as contas. Isadora era diferente de tudo o que eu conhecia; ela possuía uma liberdade e uma autoridade sobre o próprio corpo que me fascinavam.

Ela foi minha primeira conexão real com o submundo. Enquanto eu ainda era menor de idade, eu a ouvia falar sobre o seu trabalho de fim de semana no Ambrosia Club com uma sede que eu não sabia explicar. Isadora — ou Cereja, como era conhecida entre as paredes de veludo do clube — era a dona do jogo, e eu era apenas um garoto preso em um destino traçado.

Mantivemos contato durante todo o meu primeiro ano em Harvard. Aos dezoito anos, assim que pisei no Brasil para as minhas primeiras férias, eu não queria jantares de gala; eu queria o abismo que ela me prometeu. Foi Cereja quem me abriu as portas do Ambrosia.

E foi com ela, em nossa primeira sessão, que eu senti pela primeira vez o que era ter o controle absoluto de uma vida em minhas mãos. Naquele quarto, sob a orientação dela, eu deixei de ser o herdeiro órfão ou o aluno prodígio; eu me tornei o homem que ditava o ritmo. Isadora não foi apenas uma submissa para mim; ela foi quem despertou o meu vício e me ensinou que o poder poderia ser o meu único e verdadeiro refúgio.

Hoje, estamos afastados. O nome Cereja ficou no passado, e a Isadora seguiu a vida dela em um relacionamento complicado no qual eu prefiro não interferir. Mas o respeito continua intacto. Ela sempre será a mulher que me mostrou que eu poderia ser o dono do meu próprio império, muito antes de eu comprar o Ambrosia.

— O que foi? O dourado da estátua não brilha no escuro? — debochei para o grupo em choque. — Vocês queriam um garçom, pois aqui estou. Entrem. Tem uma TV de quase cem polegadas lá dentro e o sinal do Gauchão está garantido.

— Mas Rocco... um bordel masculino? — Diego tentou protestar. — É decadente.

— Decadente é o conceito de estética do Nathan. Entre logo.

Empurrei a porta e o cheiro de fumaça e perfume barato nos recebeu. No meu clube, o cheiro é de vinhos raros e gastronomia exótica; ali, cheirava a desespero e testosterona. Nathan e Diego caminharam pisando em ovos até uma mesa perto do telão.

Pendurei meu paletó caro num gancho, arregacei as mangas da camisa de linho e soltei os três primeiros botões. Segurei a bandeja de metal como se fosse um cetro. Eu podia ser um Blackwood, mas sabia jogar qualquer jogo. No Ambrosia, eu era o Sommelier que decidia quem comia no subsolo. Aqui, eu seria o garçom que os faria engolir o próprio orgulho.

Esperei que todos se sentassem.

— E aí, o que vão querer beber? — perguntei, tirando meu cartão Black do bolso e batendo-o com força sobre a mesa. — Aproveitem. Caso queiram se divertir com algum dos gogoboys, a casa oferece "pacotes completos" e está tudo incluso na minha conta. No Ambrosia eu sirvo o banquete dos deuses sob contrato, mas aqui... fiquem à vontade para escolher o "prato" que mais combina com a carência de vocês.

Todos eles fizeram uma cara estranha; o senhor Junior, do design, chegou a fazer o sinal da cruz. Eu gargalhei. Acharam que poderiam me vencer com uma aposta boba? Eu sou um Blackwood. Eu sempre saio por cima, mesmo carregando a porra de uma bandeja.

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